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Grupos Temáticos

GT 1 - A Ecologia de Saberes e a saúde dos povos do campo, floresta e águas: desafios para a pesquisa na conjuntura política atual
GT 1 - A Ecologia de Saberes e a saúde dos povos do campo, floresta e águas: desafios para a pesquisa na conjuntura política atual
A ciência – o conhecimento científico, em especial no campo da saúde – tem tido dificuldades de ter uma linguagem acessível, de comunicar os seus resultados à população em geral, e mais ainda de produzir conhecimento junto com as comunidades que vivem em situações de exclusão social, de injustiça ambiental, vítimas de iniquidades em saúde, principalmente as que vivem no campo, floresta e águas historicamente excluídas das políticas públicas e com os piores indicadores de saúde se comparadas às comunidades urbanas. A terminologia usada para nos referirmos a essas populações é um conceito contemporâneo dos movimentos sociais e populares brasileiros, e integra a luta contra a invisibilidade dentro do setor saúde e as limitações do conceito do rural.
Dentro desse grupo populacional, tem-se os camponeses, agricultores familiares, trabalhadores rurais assalariados e temporários que residam ou não no campo, trabalhadores rurais assentados e acampados, comunidades de quilombos, populações que habitam ou usam reservas extrativistas, populações ribeirinhas, indígenas, populações atingidas por barragens, entre outras comunidades tradicionais.
Esse GT chama para si o desafio de refletir, discutir a pesquisa participativa, crítica, criativa em saúde e as praticas de saúde nos territórios do campo, floresta e das águas, considerando a complexidade dos problemas e a necessidade de uma ecologia de saberes na perspectiva proposta por Boaventura dos Santos.
Pretende reunir pessoas que estudam, pesquisam e trabalham na produção, a difusão e a utilização do conhecimento científico em saúde no contexto da saúde das populações do campo, floresta e das águas; pretende discutir o conhecimento científico e os novos saberes considerando os estudos teóricos e metodologias participativas e de intervenção.
Colocar-se ao lado dos mais vulneráveis é uma postura ética que tem levado vários pesquisadores a ações judiciais de criminalização pelos grandes empreendedores, especialmente no campo dos impactos ambientais e à saúde humana. Dessa forma, é urgente pautar a necessidade de garantir a autonomia da atividade acadêmica em relação às pressões ou aos interesses econômicos. Salientamos que a concepção de pesquisas com base em metodologias participativas como a pesquisa-ação, pesquisa participante, círculos de cultura, pesquisa militante, ecologia de saberes, as quais pressupõem uma relação sujeito-sujeito e não sujeito-objeto – envolvendo comunidades, profissionais de saúde, movimentos sociais, e outros sujeitos relacionados ao tema ou problema de pesquisa a ser investigado, com vistas à produção compartilhada de conhecimento continuam sendo marginalizadas enquanto pesquisa científica.
A Ecologia de Saberes pode contribuir em processos de pesquisa como epistemologia e metodologia para dar visibilidade aos modos de vida e de trabalho, bem como aos impactos socioambientais, riscos e danos à saúde humana das comunidades guardiões de nossa biodiversidade e do Bem Viver atingidas pelos processos de desenvolvimento em curso no mundo globalizado. Nesse sentido, espera-se que as pesquisas contribuam para o fortalecimento da identidade das comunidades e de suas lutas por justiça ambiental.

Coordenadores:
Fernando Ferreira Carneiro
Leandro Araújo
Vanira Matos Pessoa
GT 2 - Pesquisa Qualitativa em Saúde no Norte do Brasil: uma abordagem de pesquisa promotora de equidade
GT 2 - Pesquisa Qualitativa em Saúde no Norte do Brasil: uma abordagem de pesquisa promotora de equidade
Esta proposta de grupo temático se contextualiza na chamada de grupos temáticos do 8º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, com o tema “Igualdade nas diferenças: os enfrentamentos na construção compartilhada do bem viver e o SUS”. Mediante o enfoque do congresso no tema da equidade, discutido a partir da perspectiva das ciencias humanas e sociais, somado às crescentes demandas por inovações na produção de evidências científicas que respondam a questões complexas no campo da saúde, bem como a necessidade de abordagem das parcularidades estruturais educacionais e de pesquisa da região Norte do Brasil, o presente grupo temático busca promover um espaço de comunicação e discussão a respeito do tema pesquisa qualitativa em saúde no Norte do Brasil. Este grupo temático se relaciona com as ciências sociais e humanas em saúde em função evocar conceitos, teorias e abordagens desse campo ao discutir o componente social e sua relação com todas as dimensões da vida, destacando-se a saúde. Dessa forma, ao enfocar a Pesquisa Qualitativa em Saúde como uma abordagem de pesquisa promotora de equidade durante o 8º CBCSHS, favoreceremos a discussão de questões como as especificidades de determinantes socioambientais de saúde existentes na região Norte do Brasil. Este grupo proporcionará um espaço de comunicação, aproximação e discussão de agentes atuantes ou interessados nessa área ao encorajar o diálogo intra-regional, inter-institucional e interdisciplinar. Como proposta metodológica, este grupo temático seguirá o modelo utilizado mencionado no termo de referência para a proposição de grupos focais, com base na experiência bem sucedida do Seminário Nacional “O SUS diante das violências: vivências, resistências e propostas”, iniciando seu trabalho com um painel sobre o tema, no qual serão apresentadas vivências, resistências e experiências já percorridas sobre a temática em questão. O segundo momento será a apresentação dos trabalhos previamente inscritos e selecionados pela Comissão Científica na área. Ao final, deverá haver uma oficina que construa coletivamente propostas para novos enfrentamentos a partir de reflexões, sugestões e encaminhamentos constituídos pelo grupo ao longo dos dias de congresso. O potencial inovador deste grupo temático se confere na mobilização e conexão de agentes atuantes e interessados na pesquisa qualitativa em saúde no Norte do Brasil, potencialmente, contribuindo para o desenvolvimento deste campo no âmbito da região do Brasil que vivencia as maiores iniquidades socioambientais e de saúde.

Coordenadores:
Rozilaine Redi Lago
Marta Azevedo dos Santos
Kátia Fernanda Alves Moreira
GT 3 - Análise institucional e Saúde Coletiva: inventando enfrentamentos na construção compartilhada do SUS
GT 3 - Análise institucional e Saúde Coletiva: inventando enfrentamentos na construção compartilhada do SUS
A Análise Institucional (AI), instituída na década de 1960 na França e com considerável repercussão no Brasil, a partir dos anos de 1970, constitui uma abordagem teórico-metodológica que possibilita a ampliação do conhecimento sobre os saberes e práticas originados das instituições de uma dada sociedade. Desde os anos 2000, constata-se uma significativa produção acadêmica articulando a AI na análise de diferentes objetos da Saúde Coletiva (SC). Data desta época, a inserção da AI como disciplina de pós-graduação e linha de pesquisa no Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) Unicamp, no qual, em 2003, foi criado o Diretório de Pesquisa Análise Institucional e Saúde Coletiva, vinculado ao CNPq, coordenado pela Profa Dra Solange L’Abbate. A partir de então, os membros deste Diretório vêm aprofundando a articulação AI e SC na análise de diferentes objetos de investigação e intervenção, resultando em dissertações, teses, artigos e capítulos de livro, como na coletânea Análise Institucional & Saúde Coletiva publicada em 2013. Nos dois últimos CBCSHS, em 2013 e 2016, membros do Diretório formaram o GT AI & SC, promovendo cursos e mesas redondas, originadas dos trabalhos enviados ao GT, nos quais a AI tem se mostrado potente para refletir sobre o campo teórico-prático da Saúde Coletiva, em suas dimensões científico-acadêmicas e político-ideológicas, tendo em vista os inúmeros desafios colocados pelos deferentes contextos do país, com maior ênfase nas questões relacionadas à organização do SUS. Para o 8º CBCSHS, este GT propõe um Curso pré-congresso com o tema: “A Análise lnstitucional das práticas profissionais (AIPP) em Saúde Coletiva: uma abordagem metodológica”, objetivando introduzir os conceitos-ferramenta da AIPP, como um potente recurso para analisar as diversas práticas profissionais vividas pelos diferentes sujeitos, nos seus espaços institucionais, visando ampliar as potencialidades de análise crítica de como as instituições atravessam essas práticas. No PAINEL “A Análise Institucional das práticas profissionais em Saúde Coletiva: construindo novas estratégias e ferramentas de trabalho”, serão debatidas experiências concretas, visando à socialização do que vem sendo realizado nos diferentes espaços do SUS, contribuindo para a compreensão do estado da arte atual no âmbito nacional. Este painel será constituído por 3 a 5 relatos de experiências selecionadas no conjunto dos trabalhos inscritos e aprovados pelo GT. Para o 2° dia, propomos sessões de COMUNICAÇÃO ORAL, nas quais os trabalhos serão debatidos e servirão de base, junto às conclusões do PAINEL, para a realização, no 3º dia, da OFICINA “Perspectivas atuais da Análise Institucional para o campo da Saúde Coletiva”, na qual serão construídas, coletivamente, propostas sobre as potencialidades da AI enquanto referencial teórico-metodológico, capaz de contribuir para o enfrentamento dos desafios que a atual conjuntura do país vem colocando para o SUS. Dado seu caráter interdisciplinar e a preocupação de articular teoria e prática, a AI apresenta-se coerente com a perspectiva inovadora deste 8º CBSCHS, contribuindo para ampliar a circulação e o diálogo entre saberes e práticas no campo da Saúde Coletiva. Todas as atividades deste GT têm como público alvo trabalhadores/as e pesquisadores/as do e no SUS.

Coordenadores:
Solange L’Abbate
Ana Kalliny de Sousa Severo
Núncio Antônio Araújo Sól
GT 4 - Aprender com Dona Maria: artes e espiritualidades populares na construção do bem viver
GT 4 - Aprender com Dona Maria: artes e espiritualidades populares na construção do bem viver
Aprender com Dona Maria: artes e espiritualidades populares na construção do bem viver.

[objetivos]
• Criar momentos dialógicos no congresso para refletir e aprender a partir das espiritualidades e das artes “populares” na sua interface com as várias dimensões da saúde.
• Propor atividades, e receber trabalhos que lidem, desde a formação, a pesquisa, a experiência de cuidado e a extensão universitária, com os saberes populares, produzidos desde as artes - poesia, repente, narrativas, crônicas, ensaios, contos, teatro, música, palhaçaria, intervenções artísticas, artes plásticas, podcasts, videocasts e outros; e as espiritualidades - cuidados, respeitos, rituais, processos, interfaces, agentes populares de cura, projetos que mergulhem nas espiritualidades, cuidados paliativos, e práticas integrativas em saúde.
• Elaborar documentos reflexivos e propositivos de criação coletiva.


[justificativa]

O estudo dos “outros” é central nas Ciências Sociais em Saúde - tradicionalmente considerados distantes, exóticos, selvagens, subalternos, populares. Suas produções culturais são consideradas “curiosas”, “folclóricas”, “superficiais” e “anacrônicas”; e não saberes “sérios”, “densos”, “relevantes"" ou efetivamente úteis para a construção de vidas saudáveis ou bem vividas - na lógica andina e latino-americana do Bem Viver. Nem para aprimorar o SUS e o trabalho em saúde. Consideramos essa visão um erro.

Abordar ""arte e saúde"", e ""espiritualidade e saúde"" desde o ponto de vista dos seus produtores “populares” – num sentido ampliado - pode influenciar positivamente os processos de cuidado, construção de estados saudáveis e de fortalecimento do SUS, ampliando as nossas lógicas e os nossos olhares.


[relevância]

Mudanças reais e profundas na compreensão dos outros - individuais e coletivos - e daquilo que eles criam cotidianamente, podem abrir novas portas reflexivas e de construção dialógica de conhecimentos, e contribuir para formas culturalmente legitimadas de ação em saúde.

Chamados de “fosso"" por Valla, e de “abismos"" por Santos, os impasses existentes entre grupos culturais subalternos e hegemônicos – gestores, profissionais e academia - podem ser diminuídos por exercícios pacientes e perseverantes de aprendizado a partir das lógicas populares/periféricas/subalternas/primitivas.

Consideramos que empreender caminhos de conhecimento cuidadoso e respeitador dessas outras lógicas é relevante para a saúde coletiva e os outros campos da saúde, como a clínica.


[pontos de partida]

Partimos de visões ampliadas e aprofundadas de “artes” e de “espiritualidades”:

Artes como processos de criação, aprimoramento dos sentidos e busca de beleza - independentemente da produção, ou não, de obras de arte - valorizando a estética do fazer e do criar.

Espiritualidades como formas cuidadosas do estar (consigo e com os outros) e do viver (estética do viver, espiritualidade do fazer cotidiano) desatreladas, ou não, à experiência religiosa e do sagrado.

As duas temáticas estão presentes no cotidiano da formação (disciplinas, projetos, ligas), do trabalho em saúde (projetos, cotidiano, atividades), da pesquisa e da reflexão, e da gestão em saúde.

“Populares"", aqui, não são somente os sujeitos dos setores subalternos, mas também os sujeitos comuns envolvidos na produção de espiritualidades e artes populares: voluntários, estudantes, profissionais da saúde, famílias e comunidades. O escopo do GT transcende os estudos de subalternidades, ampliando-se ao cotidiano da saúde."

Coordenadores:
Julio Alberto Wong Un
Célia Sequeiros da Silva
Eernande Valentin do Prado
GT 5 - As interfaces entre os Movimentos Sociais e o Sistema Único de Saúde: legitimidade, defesa e construção do direito à saúde
GT 5 - As interfaces entre os Movimentos Sociais e o Sistema Único de Saúde: legitimidade, defesa e construção do direito à saúde
"O contexto social em que vivemos revela um horizonte cada vez mais nebuloso em relação à percepção e ao convívio com a diferença e a diversidade. Além disso, o cenário é de negação dos direitos e da cidadania, incluindo o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), estratégias de deslegitimação de seus princípios, combate e criminalização aos seus atores, subfinanciamento, ênfase na lógica de mercado, na medicalização em lugar da promoção da saúde, entre outros fenômenos.
Este Grupo Temático retoma encontros anteriores no 7º Congresso Brasileiro de CHSS (Cuiabá, 2016) e no 3º Congresso de Política, Planejamento e Gestão (Natal, 2017), ambos da ABRASCO, e propõe o compartilhamento de vivências, interações, discussões e conhecimentos por diferentes atores sociais - integrantes de movimentos sociais, coletivos, militantes, cidadãos promotores do controle social do SUS, profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, professores e estudantes - acerca dos entrelaces entre as lutas sociais de tais atores e dos diferentes Movimentos Sociais em relação à saúde. Neste contexto, uma premissa fundamental para o GT é a consideração da saúde como direito, necessário para a consolidação da cidadania plena e ampla, conforme proposto na 8ª Conferência Nacional de Saúde e claramente presente na chamada “Constituição Cidadã” de 1988 e nas Leis Orgânicas do SUS. Os aspectos tratados passarão pela conceituação e pelas experiências de movimentos sociais e populares, pela participação social em saúde na perspectiva de suas estratégias de promoção do direito à saúde, representatividade e enfrentamento das várias expressões das violências vivenciadas, considerando as diferentes pautas e práticas dos movimentos sociais, nomeadamente reivindicatórias, identitárias ou de transformação social. Objetivo geral: discutir, debater e promover a relação entre os movimentos sociais em suas interfaces com o SUS, com ênfase para o papel de cada um dos polos (Movimentos Sociais e SUS) na legitimidade, defesa e construção recíprocas, em busca do enfrentamento dos riscos e das violações aos direitos à saúde das pessoas, a grupos sociais e ao próprio SUS. Objetivos específicos: 1. Identificar experiências e trocar conhecimentos sobre participação social e promoção da saúde, controle social no SUS e fora dele; 2. Estimular interfaces entre movimentos sociais, Estado e saúde, de diferentes contextos regionais, territoriais e étnico-identitários, evidenciando trabalhos desenvolvidos, perspectivas acerca da saúde e estratégias de gestão da saúde; 3. Promover o debate e as interfaces entre ativismo social e trabalho profissional / acadêmico nas áreas de saúde coletiva e atenção à saúde envolvendo as mais diversas pautas reivindicatórias, identitárias e de transformação social.
O GT terá como metodologia dar visibilidade às experiências e aos debates do campo, inicialmente pela proposição de um painel, que buscará diversidade regional, de temáticas e práticas. Em um segundo momento, continuaremos com as apresentações e discussões dos trabalhos inscritos neste GT, com vistas ao aprofundamento da análise sobre as interfaces entre saúde e movimentos sociais. Por fim, na oficina, os participantes serão estimulados a pensarem modos de possibilitar a continuidade dos encontros desse GT, tomado como um favorecedor da legitimação, defesa e construção tanto dos movimentos sociais, como do SUS."

Coordenadores:
Mariana Arantes Nasser
Leonardo Fabiano Sousa Malcher
Ana Paula de Lima Santos
GT 6 - Cidade, subjetividade e práticas em saúde
GT 6 - Cidade, subjetividade e práticas em saúde
Este Grupo Temático se apresenta como espaço de análise acerca da conexões cidade, subjetividade e saúde, entendidas como categorias analíticas complexas, bem como âmbitos de interesse para políticas públicas em saúde que devem envolver os sujeitos na concretude da vida. Buscamos delineamentos para a proposição de uma base conceitual e metodológica que possibilite a aproximação e análise de objetos de pesquisa na interface entre esses três elementos (categorias). Interessa-nos analisar processos de constituição dos agenciamentos que mesclam uma íntima trama entre cidade, subjetividade e saúde, nos planos discursivo e da práxis. Portanto, num momento em que mais da metade da população mundial experiência a urbanidade, tematizar as conexões entre cidade, subjetividade e práticas de saúde parte da perspectiva de que essas relações não molduram apenas um lugar físico delimitado por fronteiras geográficas; trata-se de um espaço que conjuga materialidade e subjetividades, envolvendo “ enfrentamentos na construção compartilhada do bem viver”. . Portanto, a categoria cidade se revela central, não como mero cenário, mas como categoria analítica capaz de articular processos específicos e investimentos teórico-metodológicos ainda não suficientemente delineados no campo saúde coletiva. Trata-se de um objeto híbrido e complexo que transita entre diferentes campos disciplinares, implica distintos saberes, haja vista a diversidade e multiplicidade inerentes ao urbano como experiência. Tais experiências são vetores de subjetivação com rebatimentos no processo saúde-doença; o urbano como complexidade é determinante social em saúde. Importa-nos impulsionar, tendo a complexidade no plano meta-teórico, modalidades de estudos voltados à compreensão das singularidades da experiência sensível dos sujeitos no cotidiano, das práticas e as relações que os mesmos estabelecem com os lugares, carregadas de significados e afetos, consoante proposições de autores como Augé (2005) acerca dos “lugares antropológicos”, progressivamente transformados em “não-lugares”. Essas experiências são atravessadas por marcadores sociais, histórico-temporais, de gênero, raça/etnia, geracionais, dentre outros. Interessa-nos, sobremaneira, subsidiar a construção de modelos analíticos estratégicos para abranger essas dimensões em fenômenos como a democratização do espaço público; o direito à cidade; os processos de gentrificação e a destruição dos lugares de memória, dos “lugares antropológicos” (Augé, 2005) buscando religar as distintas dimensões dessas interfaces, considerando as profundas transformações em curso. Ao se pretender investigar tais fenômenos, se faz necessário analisar o alinhamento das estruturas macropolíticas, interrogar a cidade como produção de coletividades, tendo por consequência, o desafio da construção de um Sistema Único de Saúde sintonizado com a complexidade da vida urbana e os diferentes modos de produção de cuidado em saúde. Finaliza-se essa proposta, evocando a dimensão da prática do cuidado em saúde enquanto uma composição de diversos elementos e estratégias macro e micropolíticas, podendo esse Grupo Temático atuar como dispositivo de análise e problematização, sem a intenção de prescrever modelos estáticos de como gerir, organizar e produzir as relações cidades, saúde e subjetividade, mas ir em busca das (entre)linhas de pensamentos, conhecimentos e práticas de cuidado, tendo como vetor norteador a produção de um SUS que se aproxime da ética do bem viver, afirmando a potência da vida e a promoção da saúde.

Coordenadores:
Maria Lúcia Magalhães Bosi
Shirely Donizete Prado
Magda Dimenstein
GT 7 - Ciências Sociais e Humanas em Saúde, Adoecimentos e Sofrimentos de Longa Duração: cuidado em saúde, saberes e políticas de vida
GT 7 - Ciências Sociais e Humanas em Saúde, Adoecimentos e Sofrimentos de Longa Duração: cuidado em saúde, saberes e políticas de vida
Os estudos socioantropológicos sobre adoecimentos e sofrimentos de longa duração – crônicos, na linguagem biomédica – têm constituído relevante campo de pesquisas em expansão e consolidação, dado o contexto de transição epidemiológica, demográfica e nutricional brasileira, caracterizado por aumento expressivo da prevalência dessas condições. Este campo se destaca pela vitalidade dos aportes teóricos e metodológicos e pela diversidade de temáticas, sujeitos, contextos, instituições, práticas e políticas tomadas como objeto de estudo. Diante disso, esta edição do GT dá continuidade às discussões feitas em congressos anteriores e tem por objetivo reunir pessoas interessadas que atuem, transitem ou dialoguem com a Saúde Coletivae as Ciências Sociais e Humanas em Saúde de maneira a promover, debater, propor e compartilhar experiências e reflexões teórico-metodológicas. Sendo assim, a partir de uma perspectiva integrada, relacional e holista, esses adoecimentos e sofrimentos serão compreendidos não em suas dimensões fisicalista e psicológica organicista, mas a partir dos saberes das representações e experiências de pessoas que concretamente vivem, convivem e trabalham com (e apesar de) eles, bem como as políticas de vida e práticas que marcam e modelam seus cotidianos. Tais adoecimentos e condições impõem preocupações e cuidados que requerem a produção de estratégias individuais e coletivas no enfrentamento das contingências que emergem e se complexificam em contextos de desigualdades sociais. Além disso, destacam-se as interações com outras racionalidades médicas, pessoas, grupos, serviços sociais e de saúde compondo um pluralismo na produção do cuidado em que ganha destaque o SUS. Soma-se, na atualidade, a mobilização de recursos que se encontram no continuum entre os mundos on-line e off-line das redes sociais na internet onde as pessoas compartilham saberes e produzem práticas de (bio)socialidade modelando o cuidado. Nesse contexto, esse campo também têm se destacado pelo potencial de atuação propositiva e de engajamento nas diferentes formas de resistência e enfrentamento das iniquidades decorrentes de marcadores sociais da diferença que se interseccionam e modelam as experiências de pessoas cujas existências passam a ser alvo de estigmas, preconceitos, violências, discriminações e políticas de (in)visibilidades diversas, sinalizando para as relações entre indivíduo, sociedade e cultura e para a responsabilidade pública do cuidado. Dessa forma, este GT privilegiará trabalhos de grupos e coletivos de movimentos sociais, de trabalhadores do SUS e de pesquisadores que enfoquem o tema que pode se articular com os seguintes aspectos: doenças raras e genéticas, repercussões socioculturais da cronicidade, narrativas e experiências do adoecimento, processos de subjetivação, moralidades, práticas de biossocialidades, construção de bioidentidades e noção de pessoa, ativismo e associativismo, cuidado de si, grupos de mútua ajuda e práticas de saúde, relação com políticas de saúde específicas, com instituições, serviços e profissionais de saúde, experiências de populações e grupos que constituem minorias políticas pautados pelos marcadores sociais da diferença e metodologias biográficas e participativas, inclusive aquelas menos tradicionais em aproximação às artes e que promovam interlocuções com o tema deste GT. As atividades do GT serão finalizadas com uma oficina para construção de propostas e encaminhamentos sobre o tema na direção dos enfrentamentos e do bem viver.

Coordenadores:
Reni Barsaglini
Edemilson Campos
Lucas Melo
GT 8 - Cuidado, responsabilidade coletiva e injustiça: O que estamos fazendo
GT 8 - Cuidado, responsabilidade coletiva e injustiça: O que estamos fazendo
A proposição deste GT resulta da continuidade das atividades de pesquisa ensino e extensão sobre a integralidade das ações de saúde, que nos últimos 20 anos vêm gerando resultados e produtos de forma compartilhada em diferentes modalidades de comunicação pública do conhecimento (fóruns, disciplinas, congresso, seminários, colóquios, periódicos, livros e coletânea). Como um dos princípios doutrinários da politica de saúde do Estado Brasileiro – o SUS, a integralidade das ações tem sido tomada como objeto em diferentes estudos no campo da saúde coletiva brasileira, que em suas perspectivas teóricas-metodológicas híbridas e interdisciplinares oferecem evidências de que o Cuidado constitui o imperativo categórico para sua materialização como direito e ação no cotidiano dos sujeitos na relação entre a demanda e oferta nos serviços de saúde. Uma questão subjacente nessa discussão, diz respeito ao descompasso entre o que é demandado e o que é ofertado por cuidado. Isto porque a natureza fragmentada dos conhecimentos científicos, de cunho generalizante, que consubstancia a oferta por cuidado na saúde impõe obstáculos e desafios para lograr ou mesmo vigorar como uma prática eficaz de cuidado com direito humano à saúde. Apoiados nas contribuições da pensadora Hannah Arendt, entendemos que a ideia de responsabilidade coletiva possibilita (re)pensar e (re) agir no campo da saúde, como horizonte ético do cuidado e o cuidado como ação política da integralidade das ações na saúde, sendo a “responsabilidade coletiva” à ser conferido por este último, ao mesmo tempo em que não exime a “responsabilidade pessoal” dos sujeitos em suas práticas cotidianas. Este GT objetiva refletir de uma forma crítica e alargada as ideias de “Cuidado e Responsabilidade coletiva” como o solo epistemológico e de práticas para o enfretamento das injustiças e de toda forma de ameaça a liberdade o que nos exigi pensar sobre o que estamos fazendo! Estimula-se a apresentação de trabalhos a partir de quatro questionamentos: 1)abordar a responsabilidade e a decisão na produção do cuidado na saúde, no sentido reatar os fios soltos do modo de viver publicamente em contraposição à burocratização e utilitarismo, tomando a diáspora da “politica de humanização” como caso analise; 2)discutir sobre a busca por cuidado (demanda) como condicionante de saúde, problematizando a perspectiva participativa e inclusiva do cidadão, assim como suas formas de organização de representação na formulação e na efetivação do direito à saúde, 3)Identificar os efeitos do progresso cientifico e tecnológico sobre difícil conciliação entre ética e técnica, fruto da dependência recíproca entre tecnologias educacionais e de saúde e o 4) relacionar a produção do comum (bem viver) na atividade do “cuidar” e os desafios que são impostos pela produção do conhecimento sobre cuidado e os processos formativos (criticas sobre as clássicas dicotomias entre subjetividade e objetividade, individual e coletivo, preventivo e curativo). Por fim ressalta-se a temática como coerente com o tema geral do VII CBCSHS, na medida em que as ideias de cuidado e de responsabilidade coletiva tem na igualdade o le motive para ampliação do escopo conceitual e metodológico no sentido potencializando o compartilhamento do bem viver no e com o SUS.

Coordenadores:
Roseni Pinheiro
Altair Lira
Rodrigo Pinheiro da Silveira
GT 9 - Cuidados em Saúde Relacionados ao Uso de Drogas: modelos, instituições e políticas
GT 9 - Cuidados em Saúde Relacionados ao Uso de Drogas: modelos, instituições e políticas
"Pretende-se reunir pesquisadores, profissionais, usuários e ativistas que se dedicam a práticas de cuidados em saúde relacionados ao uso de substâncias psicoativas, para apresentarem ações, estudos e pesquisas relativas ao tema.
De modo genérico, vivemos o paradoxo de duas perspectivas que embasam as políticas de drogas em nosso país, nos campos jurídico e da saúde: uma proibicionista e repressiva e outra que defende a discussão franca e aberta sobre os uso e efeitos de substâncias, sem a prerrogativa repressiva. Essas posturas se fazem presentes no campo da saúde mental, onde há o modelo de cuidado em liberdade preconizados pelos CAPS (incluindo aqui o CAPS-ad) e o modelo de encarceramento preconizado por clínicas psiquiátricas e pelas chamadas comunidade terapêuticas (CTs). Neste último caso, quem faz uso compulsivo de substâncias é diagnóstico como “dependente químico” e o “tratamentos” impõe abstinência e encarceramento. As diferenças entre os modelos podem ser constatadas em alguns pontos: abstinência x não abstinência como exigência para o tratamento; isolamento x permanência no território social e comunitário como estratégias de tratamento; laicidade x religiosidade na atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso de drogas; as representações acerca da pessoa que faz uso compulsivo ou abusivo de substâncias psicoativas como fundamento epistemológico dos modelos existentes.
Em meio a um cenário político que vem ampliando os espaços para o modelos carcerários no campo da saúde, tendo em vista o retorno de investimentos públicos a leitos em hospitais/clínicas psiquiátricas e internações em CTs, com a retração de investimentos em iniciativas de tratamento em liberdade, somos instados a discutir e apresentar ações de cuidado em saúde que se façam em sentido contrário aos retrocessos manicomiais, avigorando os modelos de cuidado em liberdade implementados pelos CAPS, com estratégias de Redução de Danos e atendimentos terapêuticos que mantenham as pessoas plenamente inseridas em suas relações territoriais e que não tenho como foco exclusivo o uso de drogas.
Não obstante as diferenças metodológicas entre estes modelos, pesquisa feita pelo IPEA (2017) revelou que, na prática, ocorre certa convivência entre CAPS-ad e CTs, seja por força de regulamentos quando governos financiamento de vagas em CTs criam e exigem que os serviços de saúde as incluam na rede de saúde psicossocial (RAPS), seja em função de solicitação de internação pelos próprios usuários.
O objetivo é partilhar experiências e colocá-las em discussão e análise desde que tenham como pontos principais: 1) a implicação dos usuários/pessoas a quem as ações se dirigem; 2) possíveis articulação da rede de saúde e assistências públicas com as ações; 3) reflexos na formação do profissionais da saúde; 4) fortificação de cuidados que tenham como eixo ético a autonomia e liberdade das pessoas para quem as ações são dirigidas.
Esperamos que os trabalhos inscritos nesse GT fomentem espaços coletivos de formação política, visando contribuir para a consolidação da rede pública de saúde, da atenção psicossocial e da reforma psiquiátrica. "

Coordenadores:
Maristela de Melo Moraes
Beatriz Brandão
GT 10 - Deficiência, políticas sociais e bem viver em contexto neoliberal
GT 10 - Deficiência, políticas sociais e bem viver em contexto neoliberal
"A Saúde Coletiva, campo interdisciplinar que congrega um conjunto de saberes e práticas, tem incorporado a reflexão acerca da deficiência e sua transição de um conceito estritamente biomédico, baseado na perspectiva individualista do corpo a ser “corrigido” e “reabilitado”, para concebê-la como o resultado da interação entre um corpo com impedimentos físicos, sensoriais, intelectuais e mentais e as barreiras ambientais que restringem a participação das pessoas com deficiência na sociedade, em igualdade de direitos e de oportunidades com os demais, conforme preconiza a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Os últimos avanços nas políticas sociais com essa nova abordagem da deficiência agora correm sérios riscos de retrocessos em governos com agenda neoliberal, mediante a restrição de investimentos públicos para a promoção da saúde e do bem viver, agravando a pobreza, a segregação e o isolamento social desse segmento da população brasileira. Este GT tem como objetivo fomentar o debate sobre deficiência e as diversas ações para as pessoas com deficiência, executadas nos mais diferentes contextos. Busca congregar pesquisadores, representantes dos movimentos sociais e gestores de políticas sociais para compartilhar experiências sobre a produção de pesquisas e ações nesta temática. Especificamente, sugerimos trabalhos que dialoguem com uma das temáticas abaixo:
(i) modelos de compreensão da deficiência;
(ii) políticas sociais para pessoas com deficiência, especialmente no campo da saúde, da assistência social, da previdência social e da educação;
(iii) modelos de atenção à saúde da pessoa com deficiência, práticas terapêuticas e estratégias preventivas;
(iv) experiências da deficiência em diferentes contextos;
(v) produção da deficiência em contextos socioculturais específicos;
(vi) classificações e formas de mensuração da deficiência e da funcionalidade;
(vii) reflexões sobre as representações sociais do corpo e da deficiência;
(viii) deficiência e interseccionalidades, como gênero, raça/etnia, geração, sexualidade, classe, região, religião, entre outros."

Coordenadores:
Silvia de Oliveira Pereira
Martha Cristina Nunes Moreira
Anahi Guedes de Mello

GT 11 - Descolonizar e reinventar a Saúde Coletiva: epistemologias, ecologias e interculturalidades nas práticas emancipatórias em saúde nos territórios
GT 11 - Descolonizar e reinventar a Saúde Coletiva: epistemologias, ecologias e interculturalidades nas práticas emancipatórias em saúde nos territórios
“O GT busca articular diferentes pesquisadores, acadêmicos, profissionais do SUS, membros de movimentos sociais e ONGs que atuam na Saúde Coletiva e incorporam referenciais pós-coloniais alinhados a autores como Franz Fanon, o grupo latino-americano modernidade/colonialidade e as Epistemologias do Sul. Tais visões compreendem a emancipação social a partir dos três eixos de dominação que caracterizam a modernidade eurocêntrica: o capitalismo, o colonialismo (ou colonialidade) e o patriarcado.

Os estudos descoloniais e as Epistemologias do Sul têm nos desafiado a considerar perspectivas pluriepistêmicas que acolham outros saberes para além dos científicos. Neste sentido, contrapõem-se ao epistemicídio trazido pelo pensamento abissal, enfatizando as relações entre as injustiças social global e cognitiva global que ele gera. Como alternativa propõe-se resgatar e valorizar a diversidade epistemológica do mundo, isto é, as práticas alternativas a partir dos encontros entre diferentes conhecimentos e linguagens que se têm tornado visíveis pelo que se denomina Ecologia de Saberes.

Descolonizar e reinventar práticas emancipatórias abrange distintas concepções no campo da saúde (cuidado, assistência, planejamento, promoção, prevenção e vigilância), mas também sua relação com a vida, a natureza, o ambiente, a cultura, o Estado, a democracia, a economia, a justiça e o território a partir das perspectivas do Sul Global. Este representa a metáfora do sofrimento dos povos e populações excluídos radicalmente, e as lutas por reconhecimento de outros modos de ser, viver, conhecer, produzir e se relacionar em sociedade, se conectando fortemente ao tema do 8º CBCSHS.

As exclusões radicais negam, provocam ausências e invisibilizam experiências, histórias, conhecimentos e culturas de povos e populações indígenas, negras/quilombolas, camponesas, mulheres, comunidades LGBTI, moradores de periferias urbanas, entre outros. Restringir as lutas sociais, políticas públicas e ações institucionais às lógicas redistributivas e de acesso aos avanços do “progresso” econômico, científico e tecnológico da modernidade eurocêntrica (Estado-Direito-Ciência), tem se mostrado insuficiente e impossibilitado compreender ou enfrentar intolerâncias e violências econômicas, simbólicas, de gênero, culturais ou religiosas que têm crescido no Brasil e no mundo na atualidade.

A ideia de novas epistemologias, ecologias e interculturalidades busca unir as lutas como enfrentamentos por justiça (social, sanitária, ambiental, cognitiva) nos campos e cidades, que envolve o diálogo e a tradução intercultural no encontro de diferentes saberes e linguagens como a científicas, artísticas e populares.
Diante do exposto o GT propõe:
- reunir e discutir como tais referenciais têm sido incorporados, conceitual e metodologicamente, em trabalhos junto com movimentos e lutas sociais por saúde e dignidade nos campos e cidades;
- partilhar experiências, conhecimentos e vivências na construção compartilhada de conhecimentos emancipatórios em saúde em diferentes territórios.
Serão acolhidos temas e objetos empíricos variados: conflitos étnicos-raciais; humanização do SUS; práticas alternativas de cuidado; modelo de desenvolvimento econômico e impactos socioambientais e sanitários; segurança e soberania alimentar; violências contra mulheres e comunidades LGBTI; encontros e ecologia de saberes; diálogo e tradução intercultural; metodologias colaborativas não extrativistas, etc.

Pretende-se, ao final, sistematizar os aprendizados na tessitura coletiva de caminhos para a construção de práticas emancipatórias de conhecimento em saúde a partir das potencialidades e desafios colocados pelo GT.”

Coordenadores:
Marcelo Firpo Porto
Raquel Maria Rigotto
Marina Tarnowski Fasanello
GT 12 - Direitos humanos e descolonização da comunicação na saúde
GT 12 - Direitos humanos e descolonização da comunicação na saúde
"As ideias, metodologias e práticas que resultam de perspectivas epistemológicas descoloniais se multiplicam no país. Pesquisadores de várias áreas do conhecimento organizam sua produção de saberes num esforço de articulação das vozes subalternas em busca da condição de sujeitos da sua própria fala e história. A perspectiva descolonial – sendo as Epistemologias do Sul sua vertente mais conhecida – pleiteia o reordenamento da geopolítica do conhecimento, através de um discurso crítico que enfatiza o lado colonial e patriarcal do sistema mundial moderno e a colonialidade do poder intrínseca à modernidade.
Na Saúde, a incorporação da perspectiva descolonial tem sido progressiva, com presença significativa de trabalhos em congressos e de pesquisas nos programas de pós-graduação que buscam aplicar suas premissas e conceitos. Concomitantemente, diferentes sujeitos sociais e políticos vêm pautando suas ações por ideias baseadas nas Epistemologias do Sul. A Comunicação é uma das áreas que se move neste sentido, no permanente esforço de se contrapor às práticas institucionais dominantes, de caráter normativo, prescritivo, informacional e autoritário, que desvinculam a comunicação de questões centrais na saúde, como as de gênero, as desigualdades, determinações sociais e as violências e ignoram seu poder de constituição de realidades. Assim, as lutas pelo reconhecimento da comunicação como direito humano – direito a voz e à participação social e política fortalecem-se com premissas e conceitos como as ecologias (reconhecimento, saber, escala), a tradução intercultural e a escuta profunda, aliados a outros no enfrentamento das invisibilidades/visibilidades que estigmatizam e excluem, ampliando as linhas abissais da sociedade contemporânea.
Os modos de conhecimento/apropriação/transformação do mundo que recorrem à comunicação por essa abordagem têm poucas oportunidades de conhecimento mútuo, que fortaleçam e potencializem as iniciativas. Nossa proposta aproveita a realização oportuna de um congresso de Ciências Sociais em Saúde Coletiva na região Nordeste, para abrir um espaço em que diversos sujeitos – pesquisadores, movimentos sociais, profissionais da saúde, estudantes, organizações populares – possam se reconhecer e se dar a conhecer. Temos a perspectiva do estabelecimento de vínculos necessários à formação de um coletivo referente a essas inquietações e práticas (acadêmicas, científicas, sociais e políticas).
O GT buscará favorecer a interlocução entre os participantes, enriquecendo e potencializando mutuamente suas perspectivas. Prevemos três momentos:
1) apresentação sequencial (painel) de todos os trabalhos (10 hs); 2) rodas de conversação, com ampla interlocução (10h); 3) oficina para encaminhamentos de ações conjuntas que delineiem e aprofundem a contribuição das abordagens descoloniais para a comunicação e a saúde coletiva.
Acolheremos trabalhos em qualquer formato, desde que: 1) a comunicação, os direitos humanos e a saúde estejam presentes articuladamente; 2) a perspectiva epistemológica, teórica ou metodológica ancore-se em ideias ou autores do pensamento descolonial. São bem-vindos participantes de todo o país e qualquer vinculação social ou institucional que desenvolvam algum trabalho que ponha em cena questões tratadas no GT.
Associam-se nessa proposta quatro núcleos que vêm buscando traduzir essas ideias em ação concreta: O Laboratório de Comunicação e Saúde (LACES/ICICT/Fiocruz), o Departamento de Direitos Humanos e Saúde (DIHS/ENSP/Fiocruz), o GT Comunicação e Saúde (Abrasco) e o Observatório Boa-ventura de Estudos Sociais (OBES/ECOMSUL/UFRN).
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Coordenadores:
Inesita Soares de Araujo
Maria Helena Barros
Vania Gico
GT 13 - Entre aldeias, ruas e terreiros: contribuições do bem viver à reforma psiquiátrica
GT 13 - Entre aldeias, ruas e terreiros: contribuições do bem viver à reforma psiquiátrica
Nas últimas três décadas, o Brasil avançou na construção de um modelo próprio de cuidado em liberdade às pessoas em sofrimento mental que tem servido de inspiração para iniciativas locais e nacionais em outros países, comprometidas com o fortalecimento dos direitos humanos e inspiradas pela reforma psiquiátrica. O redirecionamento do modelo manicomial para o modelo de atenção psicossocial repercutiu não somente no campo da saúde mental, mas impactou também outras políticas que enfrentam a questão da institucionalização. Na última década, embora tenham ocorrido alguns esforços para ampliação de articulações das políticas de saúde e de proteção social para diversas populações com recortes específicos – por exemplo, as populações indígenas, população negra e população em situação de rua – ainda há muito que avançar no abrir-se da política a outras formas de fazer cuidado em saúde mental. Que tipos de redes, recursos, saberes e práticas são mobilizados para acolher o sofrimento e a loucura, oferecer cuidado e promover saúde em espaços e territórios tão distintos como aldeias indígenas e terreiros de religiões de matriz africana? Que tipos de articulação e de redes se pode estabelecer entre esses diversos espaços de cuidado, redes de atenção psicossocial e redes de proteção? Ao mesmo tempo, mudanças recentes na condução das políticas sociais e reorientações da política de saúde mental, sobretudo a partir da Portaria n. 3588/2017, aprofundaram contradições, particularmente observadas pelo retorno do status do hospital psiquiátrico à rede de cuidados em saúde mental, o que se contrapõe à proposta de criação de um modelo substitutivo, apontado pela Lei 10.216, de 2001. Nesse cenário de contradições, em que coexistem necessidades, avanços, retrocessos e disputas, o GT pretende reunir estudos e relatos de experiências que abordem iniciativas de articulação entre políticas de saúde mental e práticas de cuidado não institucionais, autônomas e territorializadas, como estratégias locais de promoção da saúde e de cidadania para necessidades específicas. São bem-vindos trabalhos que abordem essas outras formas de promover cuidado e atenção tanto a partir da perspectiva dos serviços de saúde que compõem a Rede de Atenção Psicossocial - RAPS intersetorial, quanto de espaços não institucionais de acolhimento. Nesse sentido, contribuem para os objetivos do GT trabalhos que incluam descrições e reflexões sobre: 1. Atuação dos serviços da RAPS junto a populações específicas; 2. Iniciativas não-institucionais de acolhimento e cuidado de pessoas em sofrimento em contextos socioculturais diversos; 3. Articulações de serviços da RAPS, incluindo os DSEI e rede de proteção, com agentes, coletivos e/ou comunidades locais para a qualificação de estratégias de cuidado e fortalecimento da autonomia e promoção do bem viver; 4. Elaborações etnográficas, conceituais e teóricas sobre outras cosmologias e epistemologias que se contraponham e/ou ampliem elaborações psiquiátricas clássicas sobre o campo da saúde mental; 5. A mobilização de conceitos como autonomia, protagonismo e bem viver em contextos de articulação entre redes de cuidado e proteção distintas. Busca-se, ainda, pensar sobre o potencial dessas articulações e contribuições para o fortalecimento da atenção psicossocial e da reforma psiquiátrica em contextos de fragilização política e institucional.

Coordenadores:
Pedro de Lemos MacDowell
Andrea Borghi Moreira Jacinto
Taia Duarte Mota
GT 14- Extensão e educação popular: Estratégias de enfrentamento para a garantia do Direito à Saúde e do Bem Viver
GT 14- Extensão e educação popular: Estratégias de enfrentamento para a garantia do Direito à Saúde e do Bem Viver
As práticas de Extensão Universitária, historicamente, têm sido orientadas por diversas concepções teórico-metodológicas, às vezes, antagônicas entre si. A maioria das ações de Extensão desenvolvidas no setor saúde reproduz a lógica biomédica hegemônica, baseadas em uma estrutura relacional rígida, verticalizada e depositária (por isso, antidialógica), com ênfase tecnicista e abordagem estritamente biologicista. Em contraponto a tais perspectivas, em meio as iniciativas de aproximação da instituição universitária com a realidade social e sua complexidade, desponta um conjunto de experiências com abordagem metodológica emancipadora e baseada na concepção latino-americana de Educação Popular (EP), que foi ganhando cada vez mais corpo teórico e se consolidando com o avançar das décadas. Essas experiências apostam na utilização de metodologias ativas e participativas e no diálogo como alicerce de sua atuação, a fim de valorizar os saberes e a cultura popular, a partir da problematização da realidade concreta e do exercício de construir conhecimentos coletivamente. Destarte, levando-se em consideração a conjuntura política nacional, as potencialidades da relação entre a EP e as atividades extensionistas, suas possíveis contribuições na formação do pessoal em saúde e das lideranças comunitárias, bem como seu caráter interdisciplinar e intersetorial, o Grupo Temático (GT) “EXTENSÃO E EDUCAÇÃO POPULAR: estratégias de enfrentamento para a garantia do Direito à Saúde e do Bem Viver” busca ser um espaço de diálogos e reflexões acerca da relação entre as ações extensionistas e a EP, valorizando a ecologia dos saberes. O grupo destinar-se-á à pessoas interessadas no tema e, principalmente, àqueles/as que já participaram da elaboração e/ou execução de atividades extensionistas pautadas na EP: docentes e discentes universitários/as, profissionais da saúde, membros de comunidades envolvidas em ações extensionistas, bem como representantes de organizações ou movimentos sociais populares. Por meio de rodas de conversa, espera-se que todos/as os/as participantes possam compartilhar suas experiências, metodologias utilizadas, facilidades encontradas, obstáculos enfrentados e resultados alcançados, e, acima de tudo, refletir sobre as potencialidades de se desenvolver ações de extensão respaldadas na EP. A proposta contará com um painel no qual deverão ser apresentadas e analisadas experiências extensionistas respaldadas na EP que tenham impactado significativamente a vida de seus/suas participantes, reduzido iniquidades, afetado a formação e as percepções de sua equipe de execução, além de ter sido construída coletivamente, entre diferentes atores sociais. Em um último momento, será realizada uma oficina, que buscará refletir e sistematizar as diferentes concepções de Extensão e EP que emergirem ao longo do GT. A partir desta proposta, espera-se contribuir com a construção dialógica de conhecimentos (aproximando conhecimento científico e saber popular) que possibilitem a estruturação de caminhos para a promoção da saúde e do bem viver e para a construção de estratégias de enfrentamento para a garantia e permanente consolidação de um sistema nacional de saúde público, universal, gratuito, equânime e de qualidade. O GT terá como público participante protagonistas de práticas de Extensão e EP, sejam eles discentes, docentes, pesquisadores, profissionais de nível técnico e superior, trabalhadores e gestores do serviço de saúde, moradores de comunidades e militantes de movimentos sociais, dentre outros interessados.

Coordenadores:
Maria Constantina Caputo
Vinício Oliveira da Silva
Renan Soares de Araújo
GT 15 - Gênero e sexualidade na interface entre saúde e direitos humanos da população LGBTQI+: (re)existências possíveis na contemporaneidade.
GT 15 - Gênero e sexualidade na interface entre saúde e direitos humanos da população LGBTQI+: (re)existências possíveis na contemporaneidade.
O presente grupo de trabalho tem por objetivo discutir aspectos socioculturais envolvidos no processo de saúde-doença-cuidado e na construção de políticas públicas voltadas à população LGBTQI+ no Brasil. Atualmente, o debate sobre o conceito de gênero encontra-se no epicentro das discussões. É marcante o avanço de ideias/práticas conservadoras que ameaçam as políticas públicas no campo dos direitos humanos e da saúde LGBTQI+, por exemplo: a supressão da cartilha de cuidados aos homens trans na página do Ministério da Saúde, o aumento significativo da discriminação e crimes de ódio dirigidos à população LGBTQI+. Desse modo, fazem-se necessárias discussões e reflexões críticas a respeito de estudos e iniciativas oriundas de investigações e atuações de atores/atrizes diversos/as, bem como das políticas que implicam o Estado brasileiro no desenvolvimento de iniciativas estatais em anos recentes. Com isso, esse GT pretende ser um espaço de acolhimento e debate para trabalhadorxs da saúde, estudantes e pesquisadorxs, além de militantes e ativistas de movimentos sociais. É nosso interesse colocar em pauta múltiplas práticas, performatividades e modos de subjetivação que tornam as (r)existências possíveis. Nessa direção, para além da reprodução de normas e valores morais, e a partir de contribuições feministas, queers e pós-estruturalistas, estamos considerando a possibilidade de desestabilização dessas normas, ou mesmo a criação/afirmação de outras existências (e resistências) para a produção de uma vida integral, ampliada e que valha a pena ser vivida. Receberemos registros de pesquisa, relatos de experiência ou outras produções teórico-práticas que considerem as articulações e resistências frente a esse cenário conservador, por meio de investigações/reflexões na área das ciências sociais e humanas em saúde, com destaque ao cuidado à saúde da população LGBTQI+ em diferentes níveis e práticas da atenção.

Coordenadores:
Anacely Guimarães Costa
Luis Augusto Vasconcelos da Silva
Laio Magno
GT 16 - Gênero, direitos sexuais e reprodutivos
GT 16 - Gênero, direitos sexuais e reprodutivos
"O GT tem por objetivo reunir estudos sobre diferentes realidades geográficas, sociais e culturais, sobre a problemática dos direitos sexuais e reprodutivos buscando discutir as implicações atuais e futuras do contexto político nacional e internacional. Serão priorizados estudos que contemplem uma perspectiva de intersecionalidade, analisando a confluência de diferentes marcadores de desigualdade social, tais com gênero, classe social, raça, diversidade sexual, entre outros.
Busca-se aprofundar a discussão de como os direitos sexuais e reprodutivos estão sendo ameaçados no atual cenário de recrudescimento de ideologias conservadoras e de crise no âmbito das políticas públicas e serviços de saúde. O GT visa atualizar esta discussão à luz dos novos cenários, analisar as especificidades que se apresentam nos diferentes contextos sociais e culturais e identificar as estratégias acionadas para a implementação e/ou garantia dos direitos sexuais e reprodutivos sob a perspectiva de gênero.
A presente proposta se justifica no contexto de ameaça à garantia de direitos já conquistados que presenciamos hoje no país, como por exemplo, o aborto nos casos previstos por lei, bem como de importantes retrocessos em termos das políticas públicas na garantia de direitos em termos de uma maior equidade de gênero. Espera-se que a discussão e a articulação entre os pesquisadores proporcionado pelo GT possa identificar estratégias de enfrentamento das ameaças aos direitos e garantia da democracia na esfera da sexualidade e da reprodução.

Coordenadores:
Daniela Riva Knauth
Cristiane Cabral
Flavia Bulegon Pilecco
GT 17 - Iniquidades em saúde: análise de trajetórias de vida, formas sistemáticas de adoecimento e intervenções sobre os seus determinantes.
GT 17 - Iniquidades em saúde: análise de trajetórias de vida, formas sistemáticas de adoecimento e intervenções sobre os seus determinantes.
A condição de vida da população brasileira nunca será igual se considerarmos os marcadores sociais como sexo, identidade de gênero, cor da pele, nível de escolaridade, renda e local de residência. A iniquidade em saúde é definida como uma condição de saúde injusta, evitável ou tratável, expressas no acesso e uso de bens e serviços, ou na forma, intensidade e integração de ações intersetoriais. Academia, profissionais, gestores e população em geral identificam e convivem com iniquidades em saúde materializadas por meio de atitudes e comportamentos individuais, práticas e processos institucionais que geram condições desiguais de vida e saúde e podem implicar contextos de vulnerabilidade à doenças e agravos transmissíveis e não transmissíveis. É fundamental ampliar e diversificar os olhares, garantir que evidências produzidas pela comunidade acadêmica e pela sociedade civil organizada sejam entendidas e apropriadas para todos os atores envolvidos em ações de enfrentamento ao racismo em intersecção com outras formas de hierarquização social, nas políticas e práticas de saúde, para daí se pensar formas de intervenção sobre fatores que influenciam e determinam as iniquidades na atenção, tratamento e reabilitação em saúde, com vistas à promoção de mudanças sustentáveis nas condições e em indicadores de saúde, tanto a curto, médio e longo prazo, sem que ninguém seja deixado para trás. Discutir as iniquidades em saúde nesse momento político e econômico é afirmar a importância do SUS como política de Estado; reiterar a noção de bem-viver; potencializar o protagonismo dos movimentos sociais; dar direcionamento para atividades de pesquisa e extensão; e ainda subsidiar processos de tomada de decisão na gestão. Os objetivos do GT serão: i) congregar análises de situação de saúde orientadas pela perspectiva dos determinantes sociais, com foco na interseccionalidades de raça, gênero, classe como pressupostos analíticos ou bases para a descrição; ii) debater lições aprendidas e boas práticas de promoção da equidade e iii) identificar desafios e oportunidades para atuação conjunta, envolvendo a comunidade acadêmica, sociedade civil organizada e a força de trabalho em saúde, em defesa do SUS e pela equidade em saúde. As atividades do GT serão destinadas aos profissionais de saúde e das áreas com repercussão nesse campo, acadêmicos, líderes de pesquisa, gestores e representantes de movimentos sociais. As atividades propostas são: 1) painel sobre o panorama atual da saúde no Brasil, as iniquidades e as suas manifestações em diversos momentos da vida da população brasileira, com apresentação de resultado, de contexto e análise crítica sobre a efetividade e sustentabilidade nos resultados das políticas públicas para a promoção da equidade em saúde; 2) apresentação e discussão de trabalhos pré-selecionados, em sessões cujos formatos seguirão as orientações da comissão científica; 3) discussão e construção coletiva de ações conjuntas e intersetoriais. O GT também prevê a realização de uma atividade pré-congresso sobre “marcadores sociais nas pesquisas da área da saúde”. Para isto será necessário que cada um dos participantes tenha o seu próprio computador e que a organização do evento disponibilize uma sala com equipamentos de informática, Datashow e acesso à internet aberto a todos os participantes. Haverá também a discussão e a reflexão sobre o quanto a integração entre referenciais teóricos e metodológicos quanti e qualitativos é condição necessária na compreensão dos determinantes sociais de saúde, principalmente no que diz respeito ao enfrentamento ao racismo, sexismo, machismo e adultocentrismo, sejam suas expressões estruturais ou institucionais.

Coordenadores:
Alexandre da Silva
Fernanda Lopes
Lucia Xavier
GT 18 - Instituições jurídicas e reivindicação de direitos para a materialização do SUS: Avanços e desafio do bem viver
GT 18 - Instituições jurídicas e reivindicação de direitos para a materialização do SUS: Avanços e desafio do bem viver
Reivindicar, contestar, efetivar e exercer. Comumente, tais termos são utilizados para possibilitar a compreensão das estratégias de atuação da sociedade civil em relação aos seus direitos. Em meio a uma heterogeneidade de estratégias compartilhadas que variam no tempo e no espaço e de acordo com os atores sociais, é possível afirmar (e reconhecer) que o “mundo da vida” apresenta uma complexidade que vai além dos aspectos formais pelos quais as reivindicações são canalizadas. Na medida em que as diferenciações sociais se acentuam do ponto de vista político, econômico e cultural, o que se observa é uma pluralidade de estratégias de resistência e reivindicação de direitos. Esta pluralidade encontra-se ancorada e orientada pelas diversas configurações políticas, econômicas e culturais que variam entre continentes, países, cidades e, até mesmo, bairros. Isto permite analisar tais variações a partir das oportunidades políticas que se desenvolvem e se constituem em cada contexto, o que oferece um repertório de ações coletivas concretas para o cotidiano dos cidadãos a partir de suas concepções de bem viver, com repercussões no cotidiano dos serviços e da gestão em saúde. Isto também permite analisar a cultura política de resistência e reivindicação de direitos, o que se espelha na forma como os atores veem e concebem seus direitos e, mais ainda, como se relacionam com os gestores e as instituições jurídicas no cotidiano de suas práticas sociais para a sua efetivação. No caso da saúde, o fato de ser prevista constitucionalmente como direito fundamental não esgota as possibilidades de sentidos que pode adquirir no cotidiano das práticas sociais. As oportunidades políticas, no caso da saúde, estão fortemente orientadas pelos incentivos e restrições advindos do SUS e, num contexto crescente de judicialização e juridicização, são necessárias novas formas de refletir, teorizar e pesquisar sobre os avanços e desafios do bem viver em saúde a partir da relação entre instituições jurídicas, gestão e sociedade civil. São objetivos do GT: a) estabelecer de maneira interdisciplinar discussões sobre estratégias judiciais, extrajudiciais e participativas de reivindicação do direito à saúde no âmbito do SUS; b) refletir sobre incentivos, restrições e mecanismos de acesso às instituições jurídicas e a sua contribuição para o bem viver em saúde, considerando os avanços e desafios; c) analisar nexos constituintes da relação entre gestores, instituições jurídicas e sociedade civil no âmbito da América Latina que podem contribuir para a inovação de estratégias de materialização do direito à saúde; d) discutir sobre as concepções sociais e culturais que subjazem a interação dos cidadãos com as instituições jurídicas na materialização do direito à saúde.

Coordenadores:
Felipe Dutra Asensi
Glaucia Maria de Araújo Ribeiro
Paula Lucía Arévalo Mutiz
GT 19 - Internet, saúde e sociedade
GT 19 - Internet, saúde e sociedade
A internet é um meio essencial de educação, comunicação e gestão da informação em todas as esferas de atividade humana. Neste contexto a saúde desponta como uma das áreas em que há cada vez mais informações disponíveis para um número cada vez maior de interessados. Nem todas as informações são confiáveis, estão corretas e/ou compreensíveis. Este aspecto coloca em cena a questão do acesso e da qualidade da informação de saúde na Internet. Alem de obter informações, os usuários também compartilham suas experiências sobre saúde- doença nas redes sociais. Tais evidências introduzem na agenda acadêmica e dos profissionais de saúde a questão da vida nas comunidades virtuais de saúde na Internet. Uma das consequências desta experiência tem sido observada no “paciente informado”: uma pessoa que conquistou habilidades e conhecimentos necessários para desempenhar um papel ativo no processo de decisão que envolve sua saúde e a gestão de suas condições de vida. Sua postura e atitudes contestam a tradicional relação médico-paciente ancorada na soberania da palavra do profissional. Assim destaca-se a questão do empoderamento do cidadão, em saúde, derivado da obtenção e compartilhamento de informações disponíveis na Internet. Cresce o número de instituições públicas e privadas que utilizam a internet para compartilhar conhecimentos, informações oferecendo serviços e cursos em portais e páginas da web que podem ser acessadas em qualquer hora e lugar. Propomos que este GT seja organizado articulando três pontos de convergência desta temática: Avaliação de Qualidade de Informação em Saúde na Internet; Empoderamento nas Redes Sociais de Saúde na Internet; Experiências de Educação em Saúde on line. Propomos realizar atividades com pesquisadores e internautas e militantes da/na Internet e/ou que façam dela seu tema preferencial de reflexão/atuação na saúde. Esta proposta se justifica na medida não há como pensar em “sermos sociedade” sem enfrentarmos os desafios teóricos e práticos colocados pela presença da Internet na vida do cidadão e nos contextos da saúde.

Coordenadores:
André de Faria Pereira Neto
Wilson José Alves Pedro
Cristianne Maria Famer Rocha
GT 20 - IST/HIV/AIDS, Políticas e Subjetividades
GT 20 - IST/HIV/AIDS, Políticas e Subjetividades
"Este GT objetiva aglutinar pesquisas qualitativas que tenham como objeto a epidemia de HIV/AIDS em suas diversas dimensões, bem como as implicações sociais e simbólicas de outras infecções sexualmente transmissíveis (ex. sífilis, hepatites, HPV).
No Brasil, as Ciências Sociais, Humanas e da Saúde Coletiva têm produzido abundante literatura sobre o fenômeno, desde o início da epidemia de Aids. Suas análises têm contribuído para relativizar conceitos elaborados pela epidemiologia, compreender sentidos atribuídos pelos sujeitos à doença e para a construção de planos e políticas mais próximos das realidades culturais. Pretendemos dar continuidade às discussões realizadas no Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde de 2013 e 2016, quando recebemos um número expressivo de resumos (58 aprovados no total) e reunimos pesquisadores inseridos em áreas, estágios profissionais e instituições variadas, possibilitando esboçar um retrato da área com significativa diversidade temática e regional. Através da colaboração interinstitucional e no intuito divulgar várias das contribuições e discussões desenroladas nas atividades do GT organizamos dois dossiês temáticos em revistas indexadas. O primeiro reúne análises que abordam as ações políticas, e interações sociais e sexuais que envolvem as pessoas vivendo e convivendo com o HIV/AIDS (Mora, Franch, Maksud, Rios, 2018, Sexualidad, Salud y Sociedad – Revista Latinoamericana). O segundo, ainda em fase de edição na revista Interface-Botucatu, pretende aprofundar os aspectos ligados à prevenção, juventude, sexualidade e ativismo.
Neste momento em que a quarta década da epidemia de HIV/AIDS tem se caracterizado pela proposição de estratégias de enfrentamento de cunho biomédico, temas como as políticas de controle e prevenção da epidemia no Brasil, com destaque para a descentralização e mudanças nas redes de atenção especializada e básica, a persistência/aumento da infecção entre determinados grupos e os rumos do ativismo consagram o espaço do congresso como cenário de estímulo ao diálogo entre pesquisadores, profissionais e ativistas. Sem negar os avanços existentes, cabe identificar os desafios que o novo cenário coloca, não apenas em termos técnicos, mas também éticos e políticos.
Nesse sentido, esperamos trabalhos que nos permitam articular dois eixos: 1) políticas públicas de IST/HIV/AIDS, visando reunir pesquisadores e reflexões de gestores e ativistas implicados na conformação e análise de estratégias do campo, e das transformações recentes no modelo de assistência e prevenção, exemplificada pela descentralização do cuidado das pessoas vivendo com HIV na rede de Atenção Básica. 2) subjetividades em torno das IST/HIV/AIDS – buscando conhecer e divulgar pesquisas qualitativas que abordem o plano das subjetividades individuais, as interações sociais que envolvem as pessoas vivendo e convivendo com o HIV/AIDS e as percepções dos atores sociais sobre as novas tecnologias de testagem e prevenção; também são de interesse as representações, implicações sociais como o estigma, e atravessamentos de gênero e sexualidade relativos às infecções sexualmente transmissíveis. Esses dois eixos muitas vezes convergem entre si, assinalando a necessidade de aprofundar as discussões acerca da imbricação entre as esferas das subjetividades, da política e dos direitos humanos, sexuais e reprodutivos.

Coordenadores:
Ivia Maksud
Mónica Franch
Claudia Mora
GT 21 - Itinerários terapêuticos: vulnerabilidade(s), interseccionalidade(s) e experiências de luta pelo direito à saúde no e para além do SUS
GT 21 - Itinerários terapêuticos: vulnerabilidade(s), interseccionalidade(s) e experiências de luta pelo direito à saúde no e para além do SUS
No campo da Saúde Coletiva a produção de conhecimento sobre Itinerários Terapêuticos (IT) tem solicitado ampliação de suas bases epistemológicas, considerando tanto as dimensões do adoecimento crônico e das redes de cuidado, assim como outras dimensões da existência humana, a exemplo das questões de gênero, sexualidade, raça/etnia e classe. Ao refletir sobre a conjuntura brasileira política atual, e as ameaças ao SUS, demanda-se cada vez mais o fortalecimento de discussão crítica sobre os sujeitos vulnerabilizados socialmente, a partir de um viés interseccional, e de suas experiências na busca pelo cuidado integral em saúde. Aspectos como estrutura e dinâmica familiar, ciclo de vida, condições socioeconômicas e marcadores sociais da diferença, tais como gênero, sexualidade, raça, classe entre outros, constituem fatores que podem determinar o grau de dificuldade ao acesso a cuidados e sua continuação no e para além do SUS. Ações políticas urgentes são necessárias para atuar sobre as vulnerabilidades e grupos socialmente vulnerabilzados (mulheres, negrxs, LGBTI, indígenas, pessoas com deficiência entre outras) diminuindo, assim, as diferenças indesejáveis e evitáveis – iniquidades – de saúde e identificar as lutas pelo direito à saúde nos caminhos percorridos na busca de cuidado. Nesse sentido, torna-se mister analisar e discutir criticamente os itinerários para além da doença, isto é, à luz de uma concepção ampliada e positiva de saúde, cujos resultados podem subsidiar as tomadas de decisões adequadas que respondam às demandas de atenção em saúde e aos princípios e diretrizes do SUS. Cientificamente já é reconhecido que o IT compreende o complexo processo de escolha, avaliação e adesão a certas formas de cuidado ou tratamento por parte de pessoas e famílias, empreendendo trajetórias distintas nos diferentes sistemas de cuidado e tecendo redes de apoio que dão suporte nessa experiência. Considera ainda como os serviços de saúde, oficiais ou não, realizam a atenção e acolhem (ou não), em certa medida, suas necessidades e expectativas de saúde, permitindo analisar como as práticas profissionais e modelos de cuidado afetam essa experiência e trajetórias, sendo imprescindíveis à integralidade para efetividade em saúde. Diante o exposto, este GT pretende dialogar e refletir, pelo prisma teórico, metodológico e empírico, sobre a(s) vulnerabilidade(s) social(is), a interseccionalidade no cuidado e as experiências que podemos reconhecer como importantes à luta pelo direito à saúde. Assim, torna-se crucial discutir as redes sociais e sistemas de apoio ao cuidado, enfatizando suas especificidades quanto aos modos de constituição, mediação, qualidade dos vínculos e potenciais cuidados em decorrência da forma como essas redes e sistemas estão configuradas; e, por fim, tensionar práticas/noções construídas no campo da saúde sobre redes de atenção, acesso, adesão e escolhas terapêuticas, dentre outras, por meio de estudos de situações concretas de cuidado e adoecimento de pessoas e famílias no contexto do SUS brasileiro.

Coordenadores:
Yeimi Alexandra Alzate López
Tatiana Engel Gerhardt
Fran Demétrio
GT 22 - Movimentos sociais do campo como prática da agroecologia, educação popular e saúde na perspectiva da construção compartilhada do Bem Viver
GT 22 - Movimentos sociais do campo como prática da agroecologia, educação popular e saúde na perspectiva da construção compartilhada do Bem Viver
A agroecologia vem ganhando crescente reconhecimento social e político encabeçada pelos movimentos sociais do campo e embasada em diversos documentos técnicos, políticos e oficiais, que indicam o enfoque agroecológico como a única alternativa capaz de enfrentar estruturalmente múltiplas dimensões da crise civilizatória que se aprofunda como resultado de padrões de desenvolvimento ambientalmente insustentáveis e socialmente excludentes. Diversos encontros nacionais de agroecologia no Brasil apontam a necessidade de refletir, a partir dos mais variados contextos, sobre os avanços e desafios da construção da agroecologia. Deste modo, é necessário estar ampliando o diálogo com diferentes setores da sociedade para motivá-los a se associar na defesa da agroecologia como enfoque de transformação dos padrões dominantes de produção, distribuição e consumo de alimentos. É parte necessária e essencial da construção do Bem Viver, contribuindo para superação das formas de organização socialmente injustas e ambientalmente predatórias que prevalecem no mundo rural brasileiro.
Frente ao contexto de fortalecimento da hegemonia do agronegócio, encontramo-nos em um momento oportuno para a mobilização das forças sociais que militam em defesa da agroecologia como alternativa viável e necessária, não apenas para a população do campo, mas também para o conjunto da sociedade. Ainda são presentes, de forma mais aguçada e preocupante, os conflitos pela posse da terra, desde as da floresta, cobiçada para a produção de madeira e a instalação de monocultivos, até as terras indígenas, os assentamentos e acampamentos. Diversas iniciativas na área da saúde e agroecologia, tem na educação popular o seu referencial teórico-metodológico, num trabalho que já se desenvolve por muitos anos. Há diversas formações nessa perspectiva, bem como a incorporação da agroecologia, saúde e educação popular em outras formações por todo o país.
Neste contexto, e de forma articulada a sujeitos, coletivos e movimentos sociais de todo o Brasil, intencionamos agregar iniciativas de movimentos sociais do campo, águas e floresta nos âmbitos locais e regionais, valorizando seus saberes e suas práticas. Esse GT agregará pesquisadores, sujeitos, coletivos e movimentos sociais que estejam compromissados em encontrar caminhos para construção de uma sociedade com sustentabilidade e contribuir para práticas populares em saúde. Buscaremos colocar na mesma roda pesquisadores que pensam diferentes formas de “dialogar com a agroecologia como base do bem viver e pensar a sustentabilidade dos povos tradicionais, do campo, das águas e da floresta, de maneira que possamos ampliar esse debate em nível nacional. Interessará, sobretudo, a explicitação de caminhos possíveis, bem como de obstáculos e dilemas relevantes, para essa construção e preservação de saberes na atualidade. O coletivo de saúde do MST agregará outros movimentos do Grupo da Terra, enquanto a Educação trará novos sujeitos para trocas com as Ciências Sociais e Humanas na Saúde.

Coordenadores:
Paulette Cavalcanti de Albuquerque
Gislei Siqueira Kneirim
Caetano De' Carli Viana Borges
GT 23 - Práticas Integrativas e Complementares (PICs), Educação Popular e Promoção da Saúde na construção compartilhada do bem viver.
GT 23 - Práticas Integrativas e Complementares (PICs), Educação Popular e Promoção da Saúde na construção compartilhada do bem viver.
Esta proposta é produto da articulação de dois GT Abrasco - Racionalidades Médicas e Práticas Integrativas e Complementares (RM-PICs) e Promoção da Saúde e Desenvolvimento Sustentável – com a Associação Nacional de Educação Popular em Saúde (Aneps) em Sergipe. Reflete a intenção de ampliar a integração dessas áreas de atuação no cuidado e na gestão em saúde no SUS, na pesquisa e formação profissional, no controle social, nos movimentos e redes sociais e institucionais em saúde.
São áreas com políticas nacionais específicas que vivenciam espaços de interface e colaboração na prática em saúde, em diferentes níveis e territórios do cuidado. Busca-se, entretanto, avançar na reflexão sobre os pontos de interface e sinergia, de forma a agregar potência à atuação conjunta e ao enfrentamento comum de desafios colocados na atual conjuntura. O GT ora proposto para este 8º Congresso de CSHS é uma oportunidade para refletir, estimular e aprimorar a integração, com apoio de referenciais das CSHS, no sentido de viabilizar um planejamento estratégico para agenda de atuação comum.
Os GTs Abrasco envolvidos têm composição inter-regional, interinstitucional e interdisciplinar, e conexão com serviços e a gestão em saúde e movimentos sociais, que serão contemplados nas atividades do GT ora proposto. No caso do GT Abrasco RM-PICs, destacam-se a articulação com a RedePics Nacional, o Observatório de PICs, a Rede Latina de Medicina Tradicional Complementar e Integrativa, o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa e a Rede de Pesquisa em APS. O GT Abrasco Promoção da Saúde registra em sua trajetória parcerias com o MS, Frente Nacional de Prefeitos, CONASEMS e a União Internacional para Promoção da Saúde e Educação. A ANEPS Sergipe é parceira do GT Abrasco EdPop, do Movimento Popular de Saúde (MOPS), SES/Sergipe, Funesa, Secretaria de Inclusão do Estado e de Secretarias Municipais.
Entende-se que avançar na integração dessas áreas contribui para o cuidado em sintonia com os princípios do SUS, em especial os da integralidade, participação social e equidade.
O GT “Práticas Integrativas e Complementares (PICs), Educação Popular (EdPop) e Promoção da Saúde na construção do bem viver” tem como proposta inicial de atividades (a depender da disponibilidade na agenda do Congresso):
Pré-Congresso: Oficina 1 – Experiências, vivências e desafios compartilhados em PICs, EdPop e Promoção da Saúde. Oficina 2 – O que são as PICs? (debate conceitual sobre delimitação e identidade das PICs)
Painel: Colaboração das PICs, EdPop e Promoção da Saúde no SUS para a construção do bem viver
Mesas redondas (com um representante de cada grupo):
1 -O desafio da formação profissional em PICs, EdPop e Promoção da Saúde
2 - A pesquisa com referenciais das CSHS como instrumento para a colaboração de saberes em PICs, EdPop e Promoção da Saúde
3 - PICs, EdPop e Promoção da Saúde integradas ao cuidado: experiências e desafios para a gestão dos serviços e do SUS
4 - Controle social, movimentos e redes sociais e institucionais em PICs, EdPop e Promoção da Saúde.
Oficina final: Planejamento estratégico para uma agenda de atuação comum em PICs, EdPop e Promoção da Saúde no SUS

Coordenadores:
Marilene Cabral do Nascimento
Simone Maria Leite Batista
Ronice Marja Pereira Franco de Sá
GT 24 - “Resistimos há 519 anos”: construção de conhecimentos a partir do bem viver e a luta por direitos dos povos indígenas em contexto de violações
GT 24 - “Resistimos há 519 anos”: construção de conhecimentos a partir do bem viver e a luta por direitos dos povos indígenas em contexto de violações
Nos debates da Constituinte no final dos anos 1980, os povos indígenas e seus aliados foram os responsáveis por trazer o debate da formação de um Estado pluriétnico e multicultural para o Brasil. É nesse momento que temos uma virada paradigmática, quando os povos indígenas deixam de ser “povos do passado” para pertencerem definitivamente ao futuro do Estado democrático brasileiro. Após uma longa história de violências, epidemias e extermínio, os povos indígenas participam ativamente do jogo democrático e lutam por direitos e políticas públicas específicas e diferenciadas para seus modos de vida e bem viver. O subsistema de saúde indígena como parte do Sistema Único de Saúde (SASI-SUS) foi a primeira política pública de saúde a provocar o desafio de pensar as diferenças numa igualdade de direitos. Os direitos no âmbito das sociedades nacionais tratam os cidadãos como um conjunto homogêneo, de forma que as minorias, e nesse caso os grupos étnicos, são forçadas a se amalgamarem nessa “identidade nacional”. Os serviços de saúde reproduzem essa lógica de valores universais em relação aos conhecimentos e práticas de saúde, de modo ser um desafio ao SASI-SUS a implementação de uma atenção diferenciada. Ainda no caso dos povos indígenas, também temos que destacar que a luta por suas identidades e a consolidação do SASI-SUS estão relacionados diretamente com a proteção e garantia do usufruto de seus territórios. É no âmbito das territorialidades indígenas que os povos conseguem garantir seu Bem Viver. O conceito de Bem Viver (sumakkawsay), como é utilizado largamente, foi construído no diálogo entre as ciências humanas e sociais e os povos indígenas, na produção de conhecimentos a partir das cosmologias indígenas. Discutir Bem Viver implica, portanto, em refletir sobre modos de vida, visão de mundo e resistência dos povos indígenas, e essa será a abordagem desse Grupo de Trabalho.
Em recente entrevista, Ailton Krenak, importante liderança indígena da constituinte brasileira, comentando a conjuntura atual do Brasil, afirmou: “Já passamos por tanta ofensa que mais essa agora não nos vai deixar fora do sério. Fico preocupado é se os brancos vão resistir. Nós estamos resistindo há 500 anos.” Essa fala explicita a larga experiência dos povos indígenas no uso de estratégias de resistências e os conhecimentos a serem considerados na articulação com as ciências humanas e sociais para o contexto atual de retrocessos sociais. A proposta de trabalho do GT será promover um diálogo sobre as estratégias de construção desse bem viver dos povos indígenas na luta por seus territórios, seus modos de vida e o subsistema de saúde diferenciado.
Propostas para a organização das atividades do GT:
1. Painel: com lideranças indígenas de diferentes regiões, representante da Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia, representante do GT Saúde Indígena da ABRASCO e, se possível, representante do Ministério Público para debate sobre a conjuntura dos direitos e da luta dos povos indígenas no ano de 2019;
2. Comunicações Orais: abordando as contribuições do diálogo das ciências humanas e sociais com questões relacionadas com a organização dos serviços e participação indígena na política de saúde; antropologia da alimentação e políticas públicas; território e demografia dos povos indígenas; antropologia da saúde.
3. Palestra: Povos Indígenas e a luta por direitos em contexto de violações.
4. Roda de Conversa: visa estimular a livre expressão e a construção coletiva de encaminhamentos e propostas.

Coordenadores:
Maria Luiza Garnelo
Eliana E. Diehl
Luiz Henrique Eloy Amado
GT 25 - Retrocessos na política da atenção psicossocial: resistências e enfrentamentos possíveis
GT 25 - Retrocessos na política da atenção psicossocial: resistências e enfrentamentos possíveis
A reivindicação pelo respeito à diferença é um lema que caracteriza o movimento da luta antimanicomial desde os seus primórdios, o que vem sendo traduzido pela premissa de “garantir um outro lugar social para a loucura”. Mais recentemente, com o aprofundamento dos estudos e discussões acerca dos condicionantes sociais e da consequente demanda por perspectivas interdisciplinares e interseccionais - especialmente, raça, classe social e gênero – para abordar a produção do sofrimento psíquico, a questão da busca da igualdade na diferença que possa traduzir a real complexidade do problema, ganhou ainda mais relevância. Afinal, a loucura não é uma abstração, mas uma experiência concreta, marcada no corpo e situada no cotidiano das pessoas que a vivem. Para enfrentar o conjunto de condicionantes e determinantes que interferem na produção ou no curso da experiência individual e coletiva de sofrimento mental e social, tem-se consolidado uma série de estratégias que reorientam o modelo de atenção para uma abordagem psicossocial, incluindo potentes medidas de intervenções culturais, inclusão pelo trabalho e pela economia solidária, práticas de reconhecimento do valor social dos diferentes e desestigmatização, articulações intersetoriais e medidas de vigilância das violações e defesa dos direitos humanos das pessoas com sofrimento mental, práticas de uma clínica ampliada que contemple tecnologias grupais, familiares e novos settings terapêuticos, entre outros. Com o acirramento, no Brasil, de uma política econômica de austeridade e de desrespeito e violência contra todas as minorias somado a um retrocesso brutal na política de saúde mental, caracterizada por uma visão fortemente mercantil, patologizante, medicalizadora, tutelar e de ataque ao SUS, os movimentos e participação social ganham destaque prioritário na defesa da Reforma Psiquiátrica em seus princípios democráticos e antimanicomiais. A partir desses pressupostos, o GT de Saúde Mental faz uma chamada aos estudantes, profissionais, pesquisadores, usuários e movimentos do campo de saúde mental a apresentarem trabalhos que, a partir dessas premissas, contribuam para uma análise crítica da situação atual, em uma perspectiva local/regional e nacional, com vistas à construção compartilhada de estratégias concretas de enfrentamento dos desafios que estão postos no campo da saúde mental coletiva contemporânea no Brasil.

Coordenadores:
Mônica de Oliveira Nunes de Torrenté
Simone Mainieri Paulon
Cláudia Maria Filgueiras Penido
GT 26 - Saberes e tecnologias biomédicas: agenciamentos, políticas e éticas no campo da saúde
GT 26 - Saberes e tecnologias biomédicas: agenciamentos, políticas e éticas no campo da saúde
O acesso à saúde vem sendo atravessado cada vez mais por novas tecnologias biomédicas, produtos e serviços com diferentes ordens de complexidade. Novos medicamentos, exames, máquinas e conhecimentos colocam um desafio para sistemas públicos e privados de saúde, mas também para grupos de pacientes, empresas, sistemas reguladores e mediadores, além de pesquisadorxs do campo das ciências sociais e humanas em saúde interessadxs em compreender embates e enfrentamentos em busca de acesso por tais produtos e serviços, processos de produção, pesquisa, usos, circulações, testes e marketing.
O estudo do campo da ciência, tecnologia e inovação em saúde em suas interfaces com as práticas sociais mobiliza teorias, conceitos, temas e objetos diversos. Constituem interesses de áreas como a Saúde Coletiva e as Ciências Sociais diferentes eixos temáticos e analíticos que abrangem complexos nexos de relações, embates e tensionamentos relacionados à emergência de disciplinas e subáreas das ciências biomédicas, até as mais diversificadas apropriações, deslocamentos e interfaces entre conhecimentos científicos e não-científicos – passando pelas diferentes fases de desenvolvimento, gestão, circulação e uso de tecnologias profiláticas, preventivas, diagnósticas e terapêuticas, considerando suas relações com instituições, empresas, autoridades, coletividades, subjetividades e moralidades.
As tecnologias e os saberes relativos ao corpo, à saúde e a doença mobilizam controvérsias na esfera pública, compõem redes sócio-técnicas bastante heterogêneas e cambiáveis, e participam de uma diversidade de itinerações terapêuticas e de cuidado – constituindo, assim, problemáticas privilegiadas para o engajamento das muitas disciplinas e orientações téorico-metodológicas próprias ao eixo das chamadas ciências humanas e sociais em saúde (e para além dele), como também a possiblidade da partilha de experiências e projetos de intervenção e atuação política.
A partir desse amplo escopo de possibilidades investigativas, este GT busca reunir trabalhos qualitativos que tenham como foco central o estudo de ciências, saberes e tecnologias biomédicas nos mais diferentes contextos sociais e sob distintas perspectivas teóricas, analíticas e políticas. Seguindo a recomendação do congresso, são bem-vindos relatos de experiência de ativistas (sociedade civil/movimento social) e profissionais de saúde, cujas propostas poderão compor um painel inicial durante este grupo de trabalho. Dentre os temas de especial interesse, destacamos os seguintes:
• Pesquisa, desenvolvimento, testes, usos e circulações de medicamentos, drogas, substâncias (sangue, fluidos seminais, hormônios, etc), equipamentos e dispositivos médicos, incluindo etapas de estudo e experimentação em laboratórios e seres humanos;
• Regulamentação sanitária e ética de pesquisas, procedimentos e produtos biomédicos;
• Publicidade, circulação, distribuição, comércio, consumo e usos de biotecnologias em circuitos formais e informais;
• Processos de avaliação e incorporação de tecnologias no SUS e embates em torno do acesso a produtos e serviços de saúde;
• Controvérsias relativas ao patenteamento e à circulação pública de dispositivos, técnicas e substâncias;
• Processos de judicialização de tratamentos médicos;
• Práticas de coletivos, grupos e associações de pacientes para acesso a tecnologias biomédicas.

Coordenadores:
Rosana Castro
Marcos Castro Carvalho
Rogério Lopes Azize
GT 27 - Saúde mental e protagonismo de usuários e familiares
GT 27 - Saúde mental e protagonismo de usuários e familiares
O GT visa promover atividades (painéis de experiências, oficinas, cursos, mesas redondas, rodas de conversas, comunicações orais etc) no congresso da ABRASCO sobre o campo da saúde mental no país, mas principalmente sobre as várias formas de protagonismo e lutas de usuários e familiares de serviços do campo. Estas têm florescido em diversos formatos nos últimos anos, muitas vezes associados à rede de serviços e trabalhadores de saúde mental e do SUS, a ONGs e movimentos sociais, outras vezes em associação com núcleos acadêmicos de pesquisa em saúde mental. Apresentam diferentes formatos e áreas de atuação, como associações civis, projetos de economia solidária e trabalho, pontos de cultura, grupos de ajuda e suporte mútuos, grupos de gestão autônoma da medicação, pesquisas participantes e pesquisas-ação, ativismo junto ao movimento antimanicomial e demais movimentos sociais etc. Têm tido enorme impacto na vida dos usuários e familiares, estimulando formas inovadoras e mais autônomas de subjetivação e diferentes estratégias de lidar melhor no cotidiano com o transtorno e de reinserção na vida social, na cultura, no trabalho. Têm também forte repercussão nas estratégias de educação popular, nas lutas políticas, no controle social e nas lutas contra o estigma e defesa de direitos em geral, e também internamente nos serviços de saúde, saúde mental e no SUS em geral, nas abordagens teóricas e conceituais da reforma psiquiátrica e da saúde mental, bem como nas ciências humanas e sociais que lhes dão suporte. O GT e suas atividades objetivam dar visibilidade e promover a troca entre essas experiências; estimular a sistematização destas vivências e seus diferentes formatos e trajetos; promover a elaboração teórico-conceitual sobre eles; e divulgar estas experiências e abordagens entre os demais participantes do congresso. O público alvo prioritário é composto pelos usuários e familiares de serviços do SUS em geral e da saúde mental; trabalhadores e profissionais do SUS e da saúde mental em particular; militantes da luta antimanicomial e do movimento sanitário; e também professores e pesquisadores do campo da saúde mental, atenção básica em saúde, e das ciências humanas e sociais que atuam nas áreas acima.

Coordenadores:
Vasconcelos, Eduardo Mourão
Leonardo Pinho
Maria Aparecida Gussi
GT 28 - Saúde, currículo, formação: experiências, vivências, aprendizados e resistência sobre raça, etnia, gênero e seus (des)afetos.
GT 28 - Saúde, currículo, formação: experiências, vivências, aprendizados e resistência sobre raça, etnia, gênero e seus (des)afetos.
O racismo estrutura profundamente a democracia no Brasil ao reduzir a abrangência da cidadania. É base da criação, manutenção de preconceitos, ou seja, ideias e imagens estereotipadas e inferiorizantes acerca da diferença do outro e do outro diferente, justificando a discriminação (Batista, 2017). O racismo gera iniquidades em saúde, caracterizando-se como importante fator de violação de direitos. Estudos ratificam tais assertivas ao evidenciarem diferenças nos indicadores epidemiológicas e de acesso a bens, educação e saúde entre brancos, pretos, pardos, indígenas e amarelos. Da mesma forma, a classe social, gênero e geração são impactantes no desfecho saúde, e/ou na determinação da distribuição do processo de produção da saúde, doença e morte. Entende-se que a formação dos profissionais de saúde é um campo estratégico para a alteração desse quadro. No 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva em 2018 ocorreu a primeira reunião do Fórum de Graduação em Saúde Coletiva e o Grupo de Trabalho Racismo e Saúde da ABRASCO. Na ocasião, houve consenso sobre a necessidade de abordar currículos de graduação de Saúde Coletiva na perspectiva das relações étnicoraciais e Saúde da População Negra. A inovação oportunizada pela discussão não só confirmou a necessidade da reformulação dos projetos pedagógicos de cursos tendo em vista a promoção da igualdade racial a partir da abordagem de temas como: educação das relações étnico-raciais, história e cultura da população negra e indígena, e suas influências sobre a tríade saúde/doença/cuidado, mas também, de suas interseccionalidades, como gênero, sexualidade, ou ainda classe social, em busca da equidade. A ABRASCO e o recém criado GT Racismo e Saúde foram protagonistas ao viabilizar esta arena para discussões. Assim, a reflexão e proposição de currículo(s) para a formação e qualificação de profissionais e agentes de saúde na perspectiva da equidade devem estar baseados em diálogos entre múltiplos e diferentes saberes, conhecimentos, vivências e práticas, estes construídos e desenvolvidos por acadêmicos, pesquisadores, integrantes de movimentos sociais, estudantes de graduação e/ou pós-graduação, gestores(as), e demais interessados(as) como propõe a perspectiva da Ecologia de Saberes (Boaventura Santos, 2005) e fomentar transformações. Por isto, esta proposta se justifica e tem como objetivos:
1. Selecionar experiências, ações, vivências, resistências e enfrentamentos referentes a processos formativos acerca de: Interface Saúde – Currículo - Formação: Experiências, Vivências, Aprendizados e Resistência sobre Raça, Etnia, Gênero e seus (des)afetos. Interseccionalidades e vulnerabilidades
2. Apresentar por meio de painel, oficinas e comunicações orais experiências, vivências, resistências e enfrentamentos referentes ao recorte temático: Interface Saúde – Educação - Formação: Experiências, Vivências, Aprendizados e Resistência sobre Raça, Etnia, Gênero e seus (des)afetos, produzidos/realizados em torno da proposição da abordagem de conteúdos/saberes, alterações curriculares e/ou de projetos pedagógicos de cursos; Interseccionalidades e vulnerabilidades.
3. Estabelecer uma rede entre os atores sociais ativos e atuantes para encaminhar e realizar uma agenda convergente das experiências, ações, vivências, resistências e enfrentamentos referentes ao recorte temático: Interface Saúde - Currículo - Formação: Experiências, Vivências, Aprendizados e Resistência sobre Raça, Etnia, Gênero e seus (des)afetos; Interseccionalidades e vulnerabilidades, apresentadas e discutidas nas sessões.

Coordenadores:
Edna Maria de Araújo
Rosana Batista Monteiro
Márcia Pereira Alves dos Santos

GT 29 - Sistema penitenciário, saúde e violência no Brasil: uma luta coletiva por direitos
GT 29 - Sistema penitenciário, saúde e violência no Brasil: uma luta coletiva por direitos
"A pessoa em privação de liberdade é sujeito de direitos constitucionais. A partir da restrição de liberdade, o Estado mantém a tutela sobre o seu direito de ir e vir, porém, as demais garantias sociais e individuais, como a assistência à saúde, educacional, social, material, jurídica e religiosa (LEP/84), dentre outras, continuam asseguradas. Por isso, faz-se necessário discutir as previsões legislativas para pessoas privadas de liberdade, a aplicação da Lei de Execução Penal e, também, a implantação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional. As atuais políticas foram gestadas diante de uma “questão carcerária”, demarcada pelo crescente encarceramento a partir dos anos de 1990, com desdobramentos em motins e organização de facções criminosas no sistema penitenciário do país. A incipiência histórica na oferta das assistências penitenciárias aos custodiados é fenômeno relacionado às múltiplas rebeliões, e vinculado às pautas reivindicatórias de presos que denunciam, dentre outras, casos de precariedade na saúde.
O objetivo deste GT é: a) fomentar a apresentação de experiências e trabalhos de pesquisa, que abordem as assistências em ambientes prisionais, manicômios, ou estabelecimentos de internação para aplicação de medidas socioeducativas; b) propiciar um espaço privilegiado de diálogo entre os diferentes atores sociais envolvidos, de distintas regiões do país, na construção da atenção à saúde e demais assistências penitenciária à população privada de liberdade; c) promover reflexões sobre experiências advindas do cotidiano do trabalho, ações de extensão, pesquisa e dos movimentos sociais; d)estabelecer eixos propositivos de atuação na área da saúde, interdisciplinares e setoriais, considerando os diferentes atores sociais envolvidos no cotidiano dos serviços e movimentos sociais, bem como na pesquisa e extensão nas instituições prisionais (penitenciárias, manicômios, hospitais judiciários e estabelecimentos para aplicação de medidas socioeducativas); e) dialogar sobre os indicadores de encarceramento, considerando que o Brasil aprisiona mais de 726 mil presos e representa a terceira maior população de custodiados do planeta, superado apenas pelos EUA e China; f) abordar o fortalecimento da organização de presos.
Propomos a realização de oficina de sensibilização e, em seguida, a apresentação de trabalhos que permitam compartilhamento de experiências. Ao final, haverá rodas de conversa para sintetizar as reflexões, buscando construir estratégias de enfrentamento para efetivação do direitos sociais e garantias individuais. Compreendendo as políticas para o sistema prisional para além da população privada de liberdade, abrangendo seus familiares e amigos, bem como os trabalhadores da área da saúde, da educação, e do sistema de justiça criminal que compartilham do mesmo cotidiano institucional. Soma-se, ainda, os profissionais que atendem esta população em instituições externas às prisionais em serviços de saúde, juntamente com ativistas sociais.
A conjuntura nacional delinea-se no sentido de acentuar medidas de coerção, podendo provocar sérios desdobramentos na saúde pública. A legitimação destes mecanismos repressores deve passar pelo crivo do debate democrático e o campo da saúde tem papel essencial na defesa de grupos sociais vulneráveis."

Coordenadores:
Cristiane Paulin Simon
Eli Narciso da Silva Torres
Luciana Simas Chaves de Moraes
GT 30 - Sistemas de Saúde e Tradições de Cura no Brasil: descolonização de saberes e práticas emancipatórias
GT 30 - Sistemas de Saúde e Tradições de Cura no Brasil: descolonização de saberes e práticas emancipatórias
"A proposta em tela é a de formar um Grupo de Trabalho em que haja a interação de forças em torno da defesa e da proteção da diversidade de concepções de saúde, de doenças e do direito à saúde existentes e reivindicadas em demandas políticas e sociais nos contextos de vida e trabalho no Brasil. O GT trabalhará com as seguintes perguntas norteadoras: de que forma a ciência e, particularmente as práticas das Ciências da Saúde, podem dialogar com as tradições e os sistemas sociais de cura que estão nos territórios das práticas da saúde pública? Quais os desafios para a descolonização de saberes que valorizem os diálogos entre as práticas clínicas, terapêuticas, epidemiológicas com as diferentes tradições de cura em torno das concepções de saúde e doença?
A partir dos estudos das práticas populares de curas, do desenvolvimento da etnobotânica, das políticas oficiais que visam incluir práticas não-biomédicas junto aos métodos terapêuticos científicos, da relação política do Estado com as instituições de pesquisas biomédicas, das organizações de saúde, dos desafios enfrentados pelos profissionais da saúde e das políticas de saúde destinadas aos trabalhadores, ensejamos a construção de um painel para discutir a urgente descolonização das práticas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) partindo dos seguintes objetivos específicos: a) reunir, para dialogar, estudos interdisciplinares que tratem de diferentes concepções de saúde e doenças; b) trazer para a cena do Congresso um debate a respeito do direito à saúde, das diferentes tradições de cura, das práticas de Biopolítica e das convergências possíveis para uma perspectiva emancipatória; c) convocar as vozes de todos os sujeitos envolvidos nos mais diversos processos de cura.
A justificativa se dá pelas resistências sociais e políticas que despontam como urgentes na reivindicação da saúde enquanto um direito humano fundamental e toda a problemática envolvida na busca por uma saúde emancipatória questionando a predominância dos conceitos de biopolítica e biopoder, sobretudo nos domínios da medicina ocidental, e pontuando o direito à autonomia cognitiva de povos indígenas, quilombolas entre outras culturas que lutam contra a invisibilidade. Desse modo, a diversidade de tradições e sistemas sociais de cura existentes em relação ao corpo, à saúde e às doenças poderão ser problematizados como legítimos, respeitando-se os princípios de igualdade e de diferença nas vozes de doentes e de curadores.
A perspectiva é de que o GT proporcione um espaço virtuoso de reflexão, debate e articulação entre práticas de saúde coletivas e práticas ancestrais de cura, identificando-se processos de dominação cognitiva e de apropriação de saberes milenares pela biopolítica, com vistas a fortalecer interação de sujeitos sociais para resistir em busca de caminhos alternativos de alternativas de práticas de saúde emancipatórias no contexto da globalização e de uma cultura multicultural."

Coordenadores:
Diádiney Helena de Almeida
José Marcos da Silva
Astrid Dahhur
GT 31 - Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional - SSAN e os povos e comunidades tradicionais: concepções e experiências em diálogo com o SISAN
GT 31 - Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional - SSAN e os povos e comunidades tradicionais: concepções e experiências em diálogo com o SISAN
No Brasil, a fome pode ser considerada um problema estrutural, e a insegurança alimentar e nutricional persiste em alguns grupos populacionais. Nesse sentido, a construção e execução de políticas públicas diferenciadas e específicas, com base nos princípios do etnodesenvolvimento, que respeitem as culturas, formas de organização social, especificidades étnicas e raciais, é o caminho a ser perseguido. É preciso assegurar a continuidade e o aperfeiçoamento das políticas que ampliam as condições de acesso à alimentação dos que ainda se encontram mais vulneráveis à fome, de forma a também superar a desnutrição nestes grupos. Neste âmbito, o objetivo do grupo é reunir reflexões acerca dos diálogos existentes sobre o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional - SISAN e sua interface com as especificidades existentes dos povos e comunidades tradicionais, além promovendo um campo de discussão que possa fornecer elementos que subsidiem o fortalecimento do Sistema considerando as características regionais e locais. Os trabalhos enviados ao GT podem abordar vivências, diagnósticos e ações de pesquisa e extensão que façam destaque às questões relacionadas ao Direito Humano à Alimentação Adequada – DHAA, à Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional - SSAN, o SISAN e os povos e comunidades tradicionais, em diferentes territórios. Ao mesmo tempo, busca-se apresentar resultados e projeções de estratégias para o fortalecimento do SISAN; discutir experiências e mecanismos de inclusão social na perspectiva da SAN; valorização das culturas locais e de fortalecimento dos sistemas que possam estabelecer interface com a SAN. Os temas prioritários são: Gestão em SAN nas comunidades tradicionais; desenvolvimento territorial e comunidades tradicionais; experiências de enfrentamento à insegurança alimentar; estratégias de gestão e/ou de políticas públicas direcionadas à SAN de grupos e movimentos sociais. O presente grupo de trabalho se destaca pela pertinência de trazer à tona a pauta da Segurança Alimentar e Nutricional, sobretudo ao priorizar as ações, vivências, intervenções e produção do conhecimento que materializam o cotidiano dos Povos e Comunidades Tradicionais na perspectiva da SAN e o fortalecimento do SISAN, valorizando as diferenças existentes nos territórios.
Painel: Os relatos de experiência deverão apresentar como prioridade a vivência de ação de intervenção ou pesquisa com os Povos e Comunidades Tradicionais e/ou movimentos sociais, com destaque para as questões que estabeleçam uma interconexão com o Direito Humano à Alimentação Adequada – DHAA, à Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional - SSAN
Comunicações orais: Os trabalhos a serem apresentados devem trazer os seguintes temas prioritários: gestão em SAN nas comunidades tradicionais; desenvolvimento territorial e comunidades tradicionais; experiências de enfrentamento à insegurança alimentar; estratégias de gestão e/ou de políticas públicas direcionadas à SAN de grupos e movimentos sociais.

Coordenadores:
Michelle Cristina Rufino Maciel
Dinara Leslye Macedo e Silva Calazans
Vanille Valério Barbosa Pessoa

GT 32 - Trabalho, produção e saúde no contexto de crise e contra-reformas ultraliberais: implicações para as políticas de saúde e perspectivas dos movimentos sociais e dos trabalhadores na garantia de seus direitos
GT 32 - Trabalho, produção e saúde no contexto de crise e contra-reformas ultraliberais: implicações para as políticas de saúde e perspectivas dos movimentos sociais e dos trabalhadores na garantia de seus direitos
"A trajetória de lutas, conquistas e avanços sociais observada no Brasil nas últimas décadas foi interrompida drasticamente pela crise política, econômica e social, com recrudescimento de um estado mínimo ultraliberal e privatista, com profundos impactos na garantia de direitos sociais e, em consequência, nas condições de vida, trabalho e saúde da população trabalhadora e população geral. Ao aprofundamento da precarização das relações e condições de trabalho, vida e saúde somam-se o ataque e fragilização das formas de resistência e capacidade de luta e organização da população e dos movimentos sociais e sindicais, obrigados a reinventar e criar novas formas e estratégias de defesa e garantia de seus direitos, cultura e territórios. A inserção (digna) no mundo do trabalho é uma condição essencial da vida humana, da construção de saberes, da cultura e dos valores éticos e humanistas. Por sua vez, a defesa do SUS como um sistema público, universal, equânime e efetivo, que atenda as necessidades e demandas das populações nos territórios, mais do que nunca se apresenta como uma pauta emancipatória para a (re)construção de uma sociedade democrática e igualitária. Para tanto,é premente fortalecer a articulação e a criação de espaços de reflexão coletiva e de relações éticas entre profissionais de saúde e pesquisadores com os movimentos sociais e representações de trabalhadores e da sociedade civil.
O GT Saúde do Trabalhador propõe a organização de mesas de debates e reflexão e oficina de trabalho com objetivo de discutir e aprofundar temas atuais neste contexto de mudanças políticas e institucionais no Brasil. Destaque deverá ser dado às demandas e questões relacionadas aos trabalhadores(as) no campo, na floresta e águas (agronegócio, agricultura familiar, pescadores, marisqueiras, extrativismo etc); impactos da produção mineral, de garimpos e barragens na saúde e meio ambiente; aos movimentos de trabalhadores urbanos, de setores químico, petroquímico, bancários, trabalhadores em saúde, na educação; trabalhadores na informalidade; desafios da indústria 4.0 (trabalho imaterial, uberizado, robotização, redes de globais de informação etc); problemas endêmicos e epidêmicos como mortes no trabalho, intoxicações, adoecimento psíquico e violências no trabalho, que resultam em sofrimento, homicídios e suicídios.
As atividades buscarão o diálogo interinstitucional e multidisciplinar, envolvendo pesquisadores, profissionais e gestores de serviços de saúde, movimentos sociais e sindicais (representações do MST, Contag, Movimento pela Soberania Popular na Mineração, Movimento dos Atingidos por Barragens, pescadores, marisqueiras, indígenas, centrais sindicais, Dieese, Diesat) das diferentes regiões do país, tomando como referência as seguintes questões: quais desafios e perspectivas para efetivação das políticas de proteção social (saúde, trabalho, ambiente, previdência social) no contexto político atual? o que tem sido produzido de conhecimento e evidências sobre o impacto da perda de direitos e da precarização do trabalho nas condições de vida e saúde – de que estão adoecendo e morrendo os trabalhadores no Brasil atual? como os movimentos sociais têm se articulado e organizado para o enfrentamento desses desafios em seus territórios nas diferentes regiões do país? o que podemos aprender e que experiências têm sido construídas nas articulações entre movimentos sociais, serviços de saúde e academia?"

Coordenadores:
Jandira Maciel da Silva
Kátia Reis de Souza
Fátima Sueli Neto Ribeiro
GT 33 - Violência obstétrica, (des)colonialidades, direitos reprodutivos e modos de nascer (ou não)
GT 33 - Violência obstétrica, (des)colonialidades, direitos reprodutivos e modos de nascer (ou não)
"Os estudos sociais em torno do parto e nascimento vêm acumulando reflexões importantes para pensarmos práticas sociais, relações de poder, representações e discursos construídos pelos modelos de atenção e cuidado e das interações indivíduo e sociedade. Para além dos aspectos tecnocientíficos, é preciso refletir, como recomenda a OMS, sobre uma experiência satisfatória, ou seja, sobre uma parturição afetiva, planejada e autônoma, bem como o enfrentamento à violência obstétrica. Esta última compreendida como qualquer ato direcionado à mulher grávida, parturiente ou puérpera ou ao seu bebê, praticado durante a assistência profissional, que signifique desrespeito à sua autonomia, integridade física e mental, e aos seus sentimentos, opções e preferências para este momento, bem como interferências médicas desnecessárias e sem eficácia comprovada ou que tragam conforto, apresentando mais riscos que benefícios. Tal violência abrange demoras na assistência, recusa de internações e de administração de analgésicos, maus tratos (físicos, verbais, psicológicos), desrespeito à privacidade e à liberdade de escolhas, realização de procedimentos coercivos, invasivos ou não consentidos, detenção de mulheres e seus bebês nas instituições de saúde; configurando, assim, negligências, hipermedicalização do parto e iatrogenias evitáveis sobre a saúde da mulher e a do bebê.
Este GT tem como objetivo aprofundar as reflexões e análises sobre a violência obstétrica e os direitos reprodutivos e as experiências de parturição contemporâneas, visando mapear as geografias de poder e debater as hierarquias profissionais e entre profissionais de saúde e usuárias envolvidas na atenção ao parto, assim como os discursos e práticas socioculturais construídos sobre tal experiência como, também, as resistências, alternativas e enfrentamentos a este quadro.
Nesse sentido, problematizamos a circulação de saberes, de práticas e de experiências a partir das lentes das Ciências Sociais e dos estudos decoloniais sobre os distintos modos de cuidar e de nascer (ou não) na sociedade contemporânea. Distintos temas se coadunam nessa proposta: parteiras tradicionais, modelos de atenção ao parto e situações de abortamento, experiências dissidentes de parto, os modos de nascer em diversas culturas e localidades, as diversas expressões da violência obstétrica. A multiplicidade dos temas relaciona-se com a diversidade de sujeitos e lugares de fala. Além da comunidade acadêmica, esperamos receber propostas vindas de movimentos sociais, dos serviços de saúde, instituições e coletivos da sociedade civil. Também se faz importante debater o caminho da construção de políticas em torno do universo do parto e nascimento, da saúde sexual e dos direitos reprodutivos. Para isso, delineamos quatro eixos temáticos para que pesquisas e relatos de experiência sejam propostos:
1) Etnografias sobre distintos modos de nascer (ou não)
2) Análises das expressões, consequências e enfrentamentos da violência obstétrica
3) Análises sobre as formas de cuidado que se estruturam em torno das práticas de assistência ao parto e situações de abortamento
4) Relatos de pesquisas que exploram diversos saberes implicados nas experiências de parto
5) Reflexões teóricas sobre as políticas públicas em torno do parto e do nascimento
Ao fim das apresentações dos relatos, experiências e pesquisas, todas e todos participantes serão convidados a pensar recomendações, propostas e encaminhamentos sobre o tema."

Coordenadores:
Sonia Lanski
Camila Pimentel
GT 34 - Violências e internet: modos de perpetração, tecnologias e ativismos digitais de enfrentamento
GT 34 - Violências e internet: modos de perpetração, tecnologias e ativismos digitais de enfrentamento
"Parcerias com movimentos sociais-coletivos-ativistas: Notícia Preta; Blogueiras contra a violência obstétrica; Blogueirxs contra discriminação LGBTQI+;

A sociabilidade contemporânea foi radicalmente transformada pelas tecnologias digitais (TD) mediadas pelo uso do computador. O advento da internet permitiu ampliar os espaços de trocas comerciais, informacionais, cognitivas, estéticas, sexuais, afetivo-amorosas e de ativismo político. As interações a partir da rede mundial de computadores criam ambientes digitais que redefinem espaço/tempo, aproximando as fronteiras entre o “mundo virtual” e o “mundo real”. A superinteratividade e a mobilidade da web 2.0 tornaram os espaços digitais um modo constitutivo da vida social, operando em rede de forma simultaneamente colaborativa e conflitiva, de controle e descontrole, de lugar e não lugar.
Em 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) defende o acesso à internet como direito humano. Nesse mesmo ano, no Brasil, 64,7% da população brasileira acima de 10 anos usava a internet (IBGE). No entanto, esse acesso é considerado deficitário globalmente e, portanto, nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável até 2020 é preconizado o aumento desse acesso.
Estar fora das redes sociais digitais é sinônimo de exclusão e de perda de oportunidades; todavia, participar delas não garante a expansão de laços de solidariedade, proteção e o bem viver. Os ambientes digitais mostram-se como espaço ímpar de expressão, incitação, disseminação às violências e discursos de ódio a grupos sociocultural e politicamente discriminados (seja por raça/cor, gênero, religião, idade/fase da vida, origem étnica etc.) bem como de perseguições sistemáticas entre desafetos, parceiros amorosos, colegas (cyberbullying) etc.
Uma vez disponibilizados tais conteúdos na rede, torna-se difícil o controle sobre as visualizações ou encaminhamentos, inexistindo barreiras geográficas ou temporais à expansão ou rapidez de propagação no ciberespaço. Dessa forma, as consequências e danos à cidadania e à saúde física e mental dos que sofrem violências na internet podem ultrapassar as fronteiras da tela, são reais e duradouras.
Em contrapartida, a internet é, também, espaço potente de divulgação de conhecimentos, defesa de direitos e ativismo contra as violências. Tanto organizações transnacionais, governamentais quanto a sociedade civil usam as redes sociais para sensibilização, mobilização, advocacy e defesa dos direitos, bem como para denúncias. Há organizações dedicadas a transformar a internet num espaço mais seguro e amigável, tais como: a Safernet; a UReport; a Nethics; e as redes internacionais que constituem os Safer Internet Centres (SICs). Diversos coletivos de jovens, mulheres, LGBTTQ+, negros têm despontado como ciberativistas que interagem e se manifestam intermediados por recursos como Blog, Instagram, Youtube, Facebook, dentre outros.
Assim, é objetivo deste GT agregar estudos e experiências dos coletivos (a exemplo do Notícia Preta), de ativistas e dos movimentos sociais que tratem as formas de perpetração das violências que se expressam e/ou se disseminam na internet, suas consequências para a saúde, bem como também aqueles trabalhos que tratem as formas de ciberativismo para o enfrentamento das violências e a disseminação do bem viver."

Coordenadores:
Suely Ferreira Deslandes
Ridalva Dias Martins Felzemburgh
Tiago Coutinho
GT 35 - Vulnerabilidades e saúde: enfoques, contextos e sujeitos
GT 35 - Vulnerabilidades e saúde: enfoques, contextos e sujeitos
"Este GT pretende articular três dimensões principais na análise sobre vulnerabilidade na pesquisa social, particularmente, no campo da saúde, procurando ampliar e atualizar o debate sobre esta categoria que ganhou destaque na saúde coletiva na década de noventa através dos estudos em Aids. A primeira diz respeito aos enfoques teóricos e metodológicos na pesquisa ou na ação coletiva sobre o tema. Nutre-se aqui a expectativa de acolher abordagens contemporâneas interdisciplinares e convergentes com o pensamento crítico pós-colonial/decolonial. O segundo focaliza os múltiplos contextos nos quais a vulnerabilidade e seus efeitos podem ser analisados e problematizados, destacando-se as dimensões políticas, sociais, ambientais e suas interfaces. Combinam-se neste eixo elementos da estrutura social, com outros próprios da cultura e da vida cotidiana. Inequidades sócio-sanitárias, Violência, Injustiça ambiental, Racismo e Epistemicidio são alguns dos fenômenos a serem destacados neste segmento. No terceiro eixo de discussão, a ênfase está posta sobre os sujeitos que convivem com situações ou condições vulnerabilizantes. Propõe-se analisar experiencias de grupos sociais cuja existência é marcada pela vulnerabilidade em suas diferentes facetas, com atenção aos efeitos potencializadores das intersecções entre determinados marcadores sociais, notadamente gênero, raça e classe social sobre este processo. Pretende-se discutir igualmente neste tópico a capacidade de resposta dos indivíduos, famílias e comunidades (resiliência/agência) para fazer frente aos problemas enfrentados, avaliando os limites e potencialidades dos dispositivos de proteção social, abrangendo a esfera estatal (políticas e serviços públicos) e societal (âmbitos macro e micro social). Considerando os marcadores étnico-raciais e/ou geracionais, será dado destaque à juventude negra (15 a 29 anos) e às crianças de 0 a 6 anos (I infância) - os quais apresentam um quadro preocupante de vulnerabilidade social e/ou epidemiológica na atual conjuntura sócio-sanitária, notadamente no Brasil.
Do ponto de vista metodológico, espera-se acolher abordagens variadas, sendo especialmente valorizados enfoques dialógicos e comprometidos com uma prática reflexiva, seja na pesquisa ou no agir social mais amplo (nos serviços de saúde, nas práticas educativas, no ativismo, na clínica etc.). Pretende-se, sobretudo, estimular os intercâmbios entre práticas de pesquisa, ensino e extensão, reconhecendo o caráter indissociável destas.
"
Coordenadores:
Leny A. Bomfim Trad
Lilian Vieira Magalhães
Cláudia Mascarenhas Fernandes
GT Ampliando Linguagens
GT Ampliando Linguagens
A arte, a literatura, a cultura popular em suas múltiplas linguagens têm propiciado a ampliaçãodas possibilidades de expressar e problematizar dimensões de experiências de difícil acesso ou de complexa tradução e de construir práticas sociais inclusivas, participativas e libertadoras de promoção e cuidado em saúde nas quais é possível comunicar com maior densidade e afetar com maior potência, produzindo transformação em ato e desvelando diferentes culturas, saberes e expressões muitas vezes negadas e \ou invisibilizadas no contexto da saúde coletiva. A experiência coletiva, mas também subjetiva e singular, da saúde e do adoecimento e seu cuidado formal ou informal, excepcional ou cotidiano (naquilo que Heidegger associa à própria produção da existência) sempre lançou mão dessas formas de linguagem para serem comunicadas ao outro e para si mesmo, para produzirem sentido e, mais radicalmente, para transmutarem-se em formas outras de realidade. Esse processo se faz de forma mais deliberada, quando a arte se configure como modo de ser de análises das realidades de saúde-doença observadas, vividas, estudadas e performadas (como terapias e propostas de cuidado que lançam mão desses recursos), sob a forma de vídeos, fotografias, teatro e tantos outros formatos. Se faz também de forma mais espontânea e culturalmente alicerçadas em experiências transgeracionais de grupos sociais, como o que se expressa por meio de cordéis, práticas corporais, experiências místicas, rituais, movimentos coletivos de luta pela produção da saúde, e tantas outras formas. O GT Ampliando Linguagens tem por objetivo identificar essas múltiplas formas de expressão, presentes no vasto campo da saúde coletiva, incluindo aqui atores da academia, dos serviços e dos movimentos sociais e populares, e fazê-las dialogar, mas também permitir que sejam reexperimentadas em uma experiência performático-vivencial. Desse modo, propomos articular nesse espaço, atores e atrizes que partindo desses vários lugares (serviços de saúde, grupos de pesquisa e extensão, instituições de ensino, movimentos sociais e populares, grupos de arte e cultura popular) para dialogarmos sobre essas possibilidades de produzir estratégias de comunicação, produção do conhecimento, cuidado e abordagens pedagógicas nas quais a arte se configure como modo de ser de construções comprometidas com um projeto ético-político, democrático e popular de sociedade e com um modo de vida pautado em formas solidárias, amorosas e sustentáveis de produção do cuidado e saúde. Com isso, espera-se que se produzam reflexões mais críticas, encarnadas e engajadas sobre modos de sofrer e de resistir ao sofrimento, sobre formas de inventar e promover saúde e sobre possibilidades de traduzir enredos e dinâmicas sociopolíticas e econômicas que geram adoecimento e aflição nos sujeitos e grupos específicos e na sociedade como um todo. Espera-se, em particular, debruçar-se sobre mudanças drásticas da realidade social e experiências de violação de direitos, contrabalançando-os com formas coletivas de resistência, de enfrentamento das violências e de construção de um bem viver dos povos referencias para um projeto politico democrático e popular de sociedade.
MODALIDADES:
- Artes visuais (fotografia, cinema e vídeo)
- Artes Cênicas e Literatura (teatro, sarau)
- Artes plásticas
- Expressão vocal, instrumental e corpo/dança
- Outras (especificar)

Coordenadores:
Mônica Nunes
Roseni Pinheiro
Tatiana Engel Gerhardt
Vera Dantas

Fique atento às
datas principais


08

julho

2019

Terceiro vencimento para inscrições com desconto! Aproveite!

local do evento

Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Campus Central

A Universidade Federal da Paraíba é reconhecida pela sua excelência no ensino e em pesquisas tecnológicas e, atualmente, encontra-se entre as melhores Universidades da América Latina.

Campus I - Lot. Cidade Universitaria, João Pessoa - PB, 58051-900